Chamados popularmente de “carros voadores”, os eVTOL — aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical — deixaram de ser conceito de ficção científica e já voam em protótipos em escala real em vários países, incluindo o Brasil. A Eve Air Mobility, controlada pela Embraer, é uma das empresas mais avançadas nessa corrida global e prevê iniciar operação comercial simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos.
Imagem: Protótipo do eVTOL da Eve, empresa controlada pela Embraer, na unidade da empresa em Gavião Peixoto (SP). Foto de Ricardo Stuckert/PR, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O que é um eVTOL e como ele voa
eVTOL é a sigla em inglês para “electric vertical takeoff and landing” — aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical. Diferentemente de um avião convencional, que precisa de pista para ganhar velocidade antes de decolar, o eVTOL usa múltiplos motores e hélices elétricas para subir na vertical, como um helicóptero, e depois faz a transição para voo horizontal com maior eficiência energética. A proposta é oferecer deslocamentos urbanos e metropolitanos mais rápidos que o trânsito de superfície, com menos ruído e emissão zero durante o voo, operando de forma parecida com um táxi aéreo sob demanda.
O eVTOL brasileiro: o projeto da Eve, controlada pela Embraer
Em dezembro de 2025, a Eve Air Mobility realizou o primeiro voo bem-sucedido do protótipo em escala real em Gavião Peixoto, São Paulo, dando início a uma fase de testes que se estende ao longo de 2026. A produção inicial das aeronaves deve ser concentrada na fábrica de Taubaté (SP), com capacidade projetada de até 480 unidades por ano — um volume que colocaria o Brasil entre os principais polos de fabricação desse tipo de aeronave no mundo.
Quando o serviço deve começar a operar de verdade
As previsões de entrada em operação comercial variam conforme a fonte: a Eve trabalha com a meta de obter a certificação de tipo (Entry into Service) até 2027, condicionada à conclusão dos testes, enquanto outras estimativas do setor apontam para o fim de 2028 como horizonte mais realista para a operação comercial plena. Segundo a Embraer, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Miami e Londres já têm acordos ou estudos em andamento para receber as primeiras rotas do serviço.
Os obstáculos regulatórios e de infraestrutura
No Brasil, os eVTOL ainda aguardam a regulamentação final da ANAC para poder operar comercialmente, um processo que envolve não apenas a certificação da aeronave em si, mas também a criação de regras específicas para os “vertiportos” — as infraestruturas de pouso e decolagem vertical em áreas urbanas — e para a integração desse novo tipo de tráfego aéreo com o espaço aéreo já ocupado por aviões e helicópteros convencionais.
Outros players no mundo: Vahana, BETA, CityAirbus
A Eve não está sozinha nessa corrida: a Airbus já testou seu protótipo A³ Vahana em anos anteriores e hoje avança com o programa CityAirbus NextGen; a americana BETA Technologies desenvolve o A250, um eVTOL cuja bateria pode ser recarregada em estações dedicadas; e outras fabricantes menores, como a alemã eMagic Aircraft, também testam demonstradores em feiras do setor. Essa disputa global por certificação e escala de produção deve definir, nos próximos anos, quais empresas conseguirão de fato colocar passageiros pagantes dentro de um eVTOL em operação regular.
Perguntas frequentes
eVTOL é a mesma coisa que um drone de passageiros?
Na prática, sim — um eVTOL é essencialmente uma aeronave elétrica multirrotor projetada para transportar pessoas, com sistemas de segurança, redundância e certificação equivalentes aos exigidos de aeronaves tripuladas convencionais, o que o diferencia de um drone recreativo comum.
Vou poder pegar um eVTOL como um Uber aéreo?
Essa é a proposta comercial das empresas do setor: operar como um serviço de táxi aéreo sob demanda, reservado por aplicativo, para trajetos curtos dentro de grandes cidades ou entre aeroportos e centros urbanos, uma vez que a certificação e a infraestrutura de vertiportos estejam prontas.
Por que ainda não existe operação comercial de eVTOL?
Porque a certificação de tipo de uma aeronave nova é um processo longo e rigoroso, que exige extensa campanha de testes de segurança, além da criação de regulamentação específica para vertiportos e para a integração desse tráfego com o espaço aéreo existente — etapas que ainda estão em andamento na maioria dos países, incluindo o Brasil.
Fontes
- AutoData: eVTOL aguarda regulamentação final para poder operar no Brasil
- Transporte Moderno: Eve prepara fábrica para produzir 480 eVTOLs por ano
Para entender outras inovações que aproximam a aviação de voos cada vez mais automatizados, veja como a decolagem automática da Embraer pode tornar o Brasil pioneiro mundial, e conheça os limites da inteligência artificial na aviação e o futuro da carreira de piloto.



