No dia 22 de setembro de 2026, o site Astronomy Picture of the Day (APOD), da Nasa, publicou uma imagem que parece montagem, mas não é: no mesmo instante em que um fotógrafo registrava a Estação Espacial Internacional cruzando o disco do Sol, um avião comercial passou pelo mesmo campo de visão, criando um alinhamento triplo — avião, estação espacial e Sol — na mesma fotografia.
Imagem: Registro da Estação Espacial Internacional (ISS) em trânsito, iluminada contra o céu. Foto de Dylan O’Donnell (deography.com), via Wikimedia Commons (CC0/Domínio Público).
A foto foi planejada — mas só até certo ponto
A passagem da ISS diante do Sol, vista de um ponto específico na superfície da Terra, dura menos de um segundo e pode ser prevista com margem de tempo mínima, quase cronometrada. Foi exatamente isso que o fotógrafo Petr Horalek, do Instituto de Física de Opava, na República Tcheca, fez: calculou com precisão de fração de segundo o momento em que a estação passaria diante do disco solar, visto da cidade de Prašek, e programou o disparo da câmera para capturar a estrutura da ISS em silhueta contra o Sol.
O avião não estava nos planos de ninguém
O que ninguém programou foi o avião. Bem no instante em que a exposição estava sendo feita, em junho, uma aeronave comercial cruzou o mesmo trecho do céu, entrando em seu próprio “mini eclipse” particular diante do Sol — criando, sem querer, um segundo objeto em trânsito na mesma imagem que já capturava a ISS. O resultado é uma fotografia com três elementos alinhados ao mesmo tempo: o disco do Sol, com suas manchas solares visíveis, a silhueta da estação espacial e a silhueta do avião.
Uma chance de 1 em 30 milhões, segundo o fotógrafo
Segundo estimativa do próprio Horalek, a chance de uma fotografia aleatória do Sol, tirada daquele ponto específico da superfície terrestre, conter simultaneamente as silhuetas de uma estação espacial e de um avião é de aproximadamente 1 em 30 milhões. A trajetória da ISS já era conhecida com antecedência; o avião foi pura coincidência de tráfego aéreo cruzando o mesmo corredor de céu no momento exato.
Por que esse tipo de foto é tão raro
Capturar a ISS diante do Sol já exige planejamento técnico apurado: a estação viaja a cerca de 28 mil km/h e orbita a Terra a aproximadamente 400 km de altitude, o que faz sua passagem pelo disco solar, vista de um ponto fixo no solo, durar frações de segundo. Um avião comercial, por outro lado, voa muito mais baixo — normalmente entre 9 e 12 mil metros de altitude — e mais devagar, mas ainda assim rápido o suficiente para que sua janela de sobreposição com o Sol também seja curtíssima. A probabilidade de dois objetos tão diferentes em velocidade e altitude cruzarem exatamente o mesmo ponto do céu, no mesmo instante, visto do mesmo lugar, é o que torna a imagem tão improvável.
O papel da aviação comercial numa foto de astronomia
A curiosidade da imagem está justamente em unir dois mundos que raramente aparecem juntos: a órbita baixa da Terra, domínio de estações espaciais e satélites, e o tráfego aéreo comercial, que cruza os céus a toda hora sem que a maioria das pessoas perceba. A fotografia acabou virando um lembrete visual de como o espaço aéreo abaixo da órbita está, na prática, sempre ocupado — só não costuma aparecer ao lado da Estação Espacial Internacional em uma mesma imagem.
Perguntas frequentes
Foi a primeira vez que um avião apareceu por acaso em uma foto da ISS diante do Sol?
Não é um evento inédito registrar aviões cruzando o campo de visão de fotos astronômicas, já que o tráfego aéreo é intenso sobre boa parte do planeta. O que torna esse registro específico notável é a coincidência de três elementos — Sol, ISS e avião — alinhados na mesma exposição, algo estatisticamente raro segundo a estimativa do fotógrafo.
É possível saber qual companhia aérea operava o avião da foto?
A publicação original do APOD não identifica a aeronave ou a companhia aérea envolvida — o registro se concentra no fenômeno astronômico e na coincidência do alinhamento, não na identificação do voo específico.
Dá para prever quando a ISS vai passar diante do Sol de novo?
Sim. Sites e aplicativos especializados calculam, para qualquer localização no planeta, os horários em que a Estação Espacial Internacional cruza o disco do Sol ou da Lua, permitindo que fotógrafos planejem o disparo com a mesma precisão usada por Petr Horalek.
Fontes
- NASA APOD — Chance Triple Alignment: Plane, Space Station, Sun (22 de setembro de 2026)
- NASA — International Space Station
Se o improvável encontro entre um avião e a órbita baixa da Terra chamou sua atenção, vale conhecer outro recorde do tráfego aéreo visto do solo: veja como o Flightradar24 bateu o recorde histórico de 153 mil voos em 24 horas. E para entender as regras que organizam todo esse tráfego que cruza os céus o tempo todo, confira o artigo sobre as regras de voo IFR e VFR.



