Fogos de Artifício Obrigam Avião da Avianca a Arremeter no Aeroporto de Flores, na Guatemala

Airbus A320 da Avianca em solo, mesmo modelo do voo que arremeteu na Guatemala por fogos de artifício

Na noite de segunda-feira, 14 de setembro de 2026, véspera do Dia da Independência da Guatemala, o voo AV700 da Avianca se aproximava do Aeroporto Internacional Mundo Maya (FRS), em Flores, no Petén, quando a tripulação avistou algo que não estava em nenhum manual de pouso: fogos de artifício sendo disparados exatamente na rota final de aproximação. A resposta foi imediata — arremetida, nova aproximação minutos depois e pouso seguro, sem qualquer ferido ou dano à aeronave. O episódio, pequeno em consequências, expõe um risco real e recorrente da aviação em datas comemorativas.

Imagem: Airbus A320 da Avianca, mesmo modelo de aeronave envolvido no episódio em Flores, na Guatemala. Foto de Aeroprints.com, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

O que aconteceu no voo AV700

O Airbus A320 partiu da Cidade da Guatemala com destino a Flores, no norte do país, uma rota doméstica curta e de operação rotineira. Na aproximação final ao Aeroporto Mundo Maya, a tripulação identificou fogos de artifício sendo disparados na área ao redor da cabeceira da pista, disparados em celebração antecipada da Independência da Guatemala, comemorada em 15 de setembro. Diante do risco, os pilotos abortaram o pouso, executaram uma arremetida e, com o espaço aéreo livre de fogos, realizaram uma segunda aproximação minutos depois, pousando sem intercorrências. A Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) da Guatemala emitiu, na sequência, um comunicado reforçando a proibição de soltar fogos de artifício próximo a corredores de pouso e decolagem.

Por que fogos de artifício perto de um aeroporto são um risco real

O problema não é só estético. Fogos de artifício de grande porte lançam artefatos que podem alcançar centenas de metros de altitude — exatamente a faixa em que um avião está durante a aproximação final ou a subida inicial após a decolagem. Órgãos de segurança de voo como o SKYbrary listam três riscos principais: distração e perda de visão noturna da tripulação, causada pelo brilho repentino dos fogos durante uma fase crítica de voo; risco de colisão com os próprios artefatos ainda em ascensão; e risco de FOD (foreign object debris, ou detritos de objeto estranho) — fragmentos que caem em pistas e pátios e podem danificar pneus, motores ou outras superfícies de uma aeronave.

Por que existem regras específicas para queimar fogos perto de aeroportos

Por esse motivo, autoridades de aviação civil ao redor do mundo — da FAA nos Estados Unidos a agências equivalentes na Ásia e na Europa — exigem que organizadores de queimas de fogos em grande escala solicitem autorização prévia informando local, horário e altura máxima esperada dos artefatos, permitindo que o espaço aéreo próximo seja avisado ou temporariamente restringido durante o evento. Esse tipo de coordenação prévia é rotina em eventos programados, como shows de Ano Novo, mas falha justamente nos casos mais imprevisíveis: queimas informais, feitas por moradores ou pequenos grupos sem qualquer aviso prévio às autoridades aeronáuticas — exatamente o que parece ter ocorrido em Flores.

Um problema que se repete no calendário de festividades

O caso da Avianca não é isolado. Incidentes semelhantes já forçaram arremetidas em aeroportos de diferentes países, geralmente concentrados em datas de forte tradição de fogos de artifício popular — Independência, Ano Novo, festas religiosas e juninas em diferentes culturas. A recorrência do problema é um dos motivos pelos quais companhias aéreas e autoridades reforçam avisos públicos nessas épocas, mesmo sabendo que grande parte das queimas de fogos que colocam aviões em risco parte de iniciativas privadas e não de eventos oficiais licenciados.

Perguntas frequentes

A arremetida em Flores foi considerada um incidente grave?

Não. Foi tratada como um procedimento de segurança padrão executado corretamente pela tripulação diante de um risco identificado a tempo — exatamente a função para a qual a arremetida existe. Não houve feridos, danos à aeronave ou impacto operacional além da segunda aproximação.

Os passageiros correm risco em uma arremetida como essa?

Não. A arremetida é um procedimento normal e treinado exaustivamente por todos os pilotos comerciais, usado sempre que qualquer condição de pouso não está totalmente segura — seja por tráfego na pista, configuração da aeronave ou, como neste caso, um obstáculo visual e físico inesperado.

Existe alguma altura de fogos de artifício considerada seguramente longe de rotas de avião?

Não existe um número universal, porque depende da fase de voo, da altitude de aproximação naquele aeroporto específico e do tipo de fogo utilizado. Por isso, a exigência de aviso prévio às autoridades aeronáuticas, e não uma distância fixa, é o principal mecanismo de controle desse risco.

Fontes

Para entender melhor esse procedimento de segurança, veja Arremetida (Go-Around): por que pilotos abortam o pouso e por que isso é normal. E para conhecer outro risco de objetos externos que preocupa a aviação, confira Bird Strike: colisão com aves, o risco invisível da aviação.

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