Quanto Custa Dar a Volta ao Mundo em um Avião Pequeno: o Caso do Piloto Brasileiro do “Brasileirinho”

Monomotor Beechcraft Bonanza F33A em voo, mesmo modelo de aeronave batizada de "Brasileirinho" usada na expedição de volta ao mundo do piloto brasileiro Mário Jorge

No dia 1º de setembro de 2026, o piloto sul-mato-grossense Mário Jorge, conhecido nas redes sociais como “O Comandante”, decolou rumo a uma das aventuras mais ambiciosas da aviação geral brasileira recente: dar a volta ao mundo sozinho em um avião monomotor de quase 30 anos, batizado carinhosamente de “Brasileirinho”. A jornada, que deve durar cerca de 120 dias e cruzar cinco continentes, levanta uma pergunta que poucos param para considerar: o que é preciso, na prática, para circunavegar o planeta em uma aeronave pequena?

Imagem: Um Beechcraft Bonanza F33A em voo, mesmo modelo de aeronave batizada de “Brasileirinho” usada na expedição de Mário Jorge. Foto de ZLEA, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

O avião: um Bonanza F33A com décadas de história

O “Brasileirinho” é um Beechcraft Bonanza F33A, monomotor de alto desempenho fabricado pela Textron Aviation e produzido entre as décadas de 1970 e 1990. A aeronave acomoda de quatro a cinco pessoas, tem alcance de até 800 milhas náuticas, pode carregar até 609 quilos e consome entre 15 e 18 galões de combustível por hora de voo — números modestos perto de um jato comercial, mas que se tornam um desafio logístico e tanto quando o destino é dar a volta ao planeta.

A rota: mais de 40 mil quilômetros por cinco continentes

Partindo de Campo Grande (MS), a expedição deve percorrer uma distância aproximada de 40 mil quilômetros, passando por regiões tão diferentes quanto o Alasca, a Groenlândia e a Ásia. Voos em monomotor de longo alcance como esse dependem de paradas frequentes para reabastecimento, o que torna o planejamento de rota — e a obtenção de autorizações de sobrevoo e pouso em cada país — uma etapa tão crítica quanto o próprio voo.

Quanto custa dar a volta ao mundo em um avião pequeno

Segundo o próprio comandante, o custo total da expedição deve superar R$ 600 mil, somando combustível, taxas aeroportuárias, manutenção, hospedagem e alimentação ao longo dos 120 dias — sem contar despesas pessoais. Para efeito de comparação, apenas o trecho de reposicionamento entre os Estados Unidos e o Brasil, em etapa anterior de preparação, já havia consumido cerca de R$ 7,7 mil em combustível, quase R$ 5 mil em taxas aeroportuárias e cerca de R$ 2 mil em hospedagem e alimentação — uma fração do orçamento total da viagem completa.

O que a documentação e a certificação exigem antes da largada

Antes de qualquer decolagem internacional, o piloto precisa acertar documentação de aeronavegabilidade, autorizações especiais dos órgãos reguladores para voos-teste e transporte da aeronave, além de revisar rotas e padrões meteorológicos de longo prazo para cada trecho. A aeronave também passa por inspeções e upgrades estruturais específicos para voos oceânicos prolongados, seguindo normas da ANAC e exigências dos países sobrevoados.

Um precedente brasileiro: a volta ao mundo de Walter Toledo

A circunavegação em aeronave pequena não é inédita no Brasil. Em 2012, o piloto Walter Toledo completou uma volta ao mundo em um monomotor Piper Malibu Matrix em aproximadamente 45 dias, cruzando 11 países e se tornando uma referência para a aviação geral nacional. A expedição de Mário Jorge se diferencia pelo ritmo mais pausado — 120 dias contra 45 — e pela proposta de documentar diariamente cada etapa da viagem para o público, transformando a jornada técnica em conteúdo acessível sobre aviação geral.

Perguntas frequentes

Por que a viagem de Mário Jorge dura tanto mais que a de outros pilotos?

Segundo o comandante, o ritmo mais longo permite paradas mais extensas em cada região, documentação detalhada da jornada e maior margem de segurança diante de condições meteorológicas adversas em trechos como Alasca e Groenlândia, historicamente mais imprevisíveis.

Um avião monomotor é seguro para cruzar oceanos?

Voos monomotores de longo alcance sobre água exigem equipamentos extras de sobrevivência, planejamento meticuloso de rota e janelas meteorológicas favoráveis. Não é o tipo de operação recomendada sem preparação extensa, mas há precedentes bem-sucedidos, como a própria volta ao mundo de Walter Toledo em 2012.

Quem financia esse tipo de expedição?

Projetos como esse costumam combinar patrocínio, apoio de marcas do setor aeronáutico e engajamento do público nas redes sociais, incluindo campanhas de apoio direto dos seguidores que acompanham a preparação e a execução da viagem.

Fontes

Para saber mais sobre os custos e a carreira na aviação geral, veja também nossos posts sobre quanto custa uma hora de voo e sobre como se tornar piloto de avião no Brasil.

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