Em 10 de setembro de 2026, um Embraer KC-390 que já estava pintado com as cores da Força Aérea Brasileira, pronto para ser entregue à FAB, ganhou uma pintura completamente nova e um destino inesperado: o Uzbequistão, no coração da Ásia Central. É a primeira vez que o maior cargueiro militar já desenvolvido na América do Sul vai operar naquela região do mundo — e a primeira vez que a força aérea de um país que já fez parte da União Soviética vai voar um avião fabricado nas Américas.
Imagem: Embraer KC-390 exposto no Paris Air Show 2019, em Le Bourget. Foto de Matti Blume, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Como um Avião da FAB Foi Parar no Uzbequistão
A aeronave, de número de série 39000019, receberia o registro FAB2861 e seria o próximo KC-390 entregue à Força Aérea Brasileira. Mas, em meio a cortes e congelamentos orçamentários recorrentes, a FAB buscava formas de reduzir custos com seus projetos. Em acordo com a Embraer, o jato foi repassado ao Uzbequistão, e a força brasileira receberá posteriormente outra aeronave do mesmo modelo, sem prejuízo para nenhuma das partes. A repintura foi feita no MRO da GOL Linhas Aéreas, o GOL Aerotech, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, onde o avião chegou em agosto de 2026.
Um Negócio Fechado em 2024
Este é o primeiro de dois aviões KC-390 que tiveram o financiamento aprovado pelo BNDES em 2024 para a venda ao Uzbequistão. A operação consolida o país da Ásia Central como mais um cliente internacional da Embraer, ao lado de nações como Portugal, Hungria, Holanda, República Tcheca e Áustria, que já operam ou compraram o modelo.
O Que o KC-390 Consegue Fazer
O KC-390 Millennium é o maior avião militar já desenvolvido na América Latina. Ele carrega até 26 toneladas de carga útil, incluindo veículos blindados leves, helicópteros ou até 80 soldados totalmente equipados, distribuídos entre 6 paletes padrão, 7 paletes 463L ou 24 cargas CDS. Equipado com dois motores a jato IAE V2500-E5 — o mesmo modelo usado nos Airbus A320 comerciais —, o cargueiro alcança velocidade máxima de 988 km/h, cruzando normalmente a 870 km/h, com autonomia de 2.820 km em carga máxima e até 6.130 km em configurações mais leves. Seu design foi pensado para operar em pistas semi-preparadas ou danificadas, de florestas tropicais úmidas a desertos e ambientes congelantes.
Por Que Essa Entrega é Simbólica
Além do ineditismo operacional, a chegada do KC-390 ao Uzbequistão marca a primeira vez que a força aérea de uma ex-república soviética da Ásia Central vai operar uma aeronave fabricada nas Américas — um mercado historicamente dominado por fornecedores russos e, mais recentemente, chineses na região. Para a Embraer, é mais uma prova de que o KC-390 consegue competir globalmente com cargueiros militares consagrados, como o Hércules C-130.
Perguntas frequentes
A Força Aérea Brasileira ficou sem esse avião?
Não. Segundo o acordo entre FAB e Embraer, a força brasileira receberá posteriormente outra aeronave do mesmo modelo para substituir a que foi repassada ao Uzbequistão, sem prejuízo para nenhuma das partes.
Quantos KC-390 o Uzbequistão comprou?
De acordo com o financiamento aprovado pelo BNDES em 2024, são dois aviões KC-390 destinados ao país; a aeronave apresentada em setembro de 2026 é a primeira das duas.
O KC-390 é usado só para fins militares?
O KC-390 foi projetado principalmente para transporte militar e logística de defesa, mas seu design multimissão também permite uso em operações humanitárias, evacuação de civis e combate a incêndios florestais, dependendo da configuração.
Fontes
- AEROIN — Embraer apresenta primeiro KC-390 que iria para a FAB, mas agora irá voar para um país da Ásia Central
- Embraer — KC-390 Millennium
Para entender a engenharia por trás de cargueiros como o KC-390, veja como é fabricada a fuselagem de fibra de carbono dos aviões modernos e como funciona o reversor de empuxo que ajuda a frear aeronaves na pista.



