Ilhéus Vai Ganhar a ‘Armadilha’ Que Já Existe em Congonhas: o Que é o Sistema EMAS

Leito EMAS (Engineered Materials Arresting System) no fim de pista do Aeroporto Internacional de Boston Logan

No dia 13 de outubro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos e o governo da Bahia assinaram um termo de compromisso para instalar um sistema de R$ 66 milhões no Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus. O equipamento não é um radar nem uma nova pista — é uma espécie de areia movediça projetada para parar aviões. Ilhéus vai se tornar o segundo aeroporto brasileiro a receber um EMAS (Engineered Materials Arresting System), depois de Congonhas, em São Paulo, que já opera o sistema há anos.

Imagem: Leito EMAS no fim de pista do Aeroporto Internacional de Boston Logan, nos Estados Unidos — sistema semelhante ao que será instalado em Ilhéus. Foto de 4300streetcar, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

O Que é o EMAS e Como Ele Funciona

O EMAS é um leito de material leve e esmagável — geralmente um concreto celular de baixa densidade — instalado na área de segurança no fim da pista. Em condições normais, ele é resistente o bastante para suportar o peso de veículos de manutenção do aeroporto. Mas quando um avião que saiu da pista (uma excursão de pista) entra nessa área, os pneus afundam no material, que se esfacela sob o peso da aeronave e cria uma resistência que desacelera o avião de forma controlada, de maneira parecida com o que aconteceria se um carro entrasse em uma caixa de areia movediça — só que calculada matematicamente para parar a aeronave antes que ela saia dos limites do aeroporto.

Por Que Ilhéus Precisa Dessa Solução

Segundo o Portal Panrotas, que noticiou o acordo, a solução foi escolhida porque se encaixa bem em aeroportos com pouco espaço físico ao redor da pista para ampliar a área de segurança (RESA, na sigla em inglês) da forma tradicional — simplesmente estendendo o terreno pavimentado. O EMAS entrega o mesmo nível de proteção ocupando uma fração do espaço que seria necessário para alongar a pista com os métodos convencionais, o que o torna especialmente atraente para aeroportos cercados por áreas urbanas, rios ou relevo acidentado — justamente o contexto de Ilhéus, cidade litorânea no sul da Bahia.

O sistema será instalado na cabeceira da pista 29, com recursos do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil), depois de estudos técnicos e ambientais conduzidos pelo governo baiano e avaliados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

Congonhas, o Primeiro Caso Brasileiro

A instalação em Ilhéus segue um caminho já percorrido por Congonhas, um dos aeroportos mais movimentados e espacialmente restritos do país, cercado por bairros residenciais de São Paulo em praticamente todas as direções. A limitação de espaço em Congonhas é um problema que já discutimos em outros contextos, como no caso das restrições operacionais e nas discussões sobre ampliação da capacidade do aeroporto — e o EMAS foi a resposta de engenharia encontrada para reforçar a segurança sem depender de desapropriar terrenos vizinhos para alongar as áreas de segurança da pista.

Uma Tecnologia Pensada para o “E Se”

É importante entender que o EMAS não é acionado em pousos e decolagens normais — ele existe para o cenário de excursão de pista, quando um avião, por excesso de velocidade no pouso, pista contaminada por chuva ou outro fator, não consegue parar dentro dos limites pavimentados. Esse tipo de incidente, mais comum do que se imagina em aeroportos com pistas mais curtas ou áreas de segurança reduzidas, raramente causa vítimas graves quando a velocidade residual do avião já está baixa — mas pode se tornar catastrófico se houver um obstáculo rígido, uma via ou um curso d’água logo depois do fim da pista, exatamente os riscos que o material esmagável do EMAS foi desenhado para absorver.

Perguntas frequentes

O EMAS substitui a necessidade de uma pista mais longa?

Não tecnicamente, mas funciona como alternativa de engenharia quando não há espaço físico para estender a área de segurança da pista da forma convencional, entregando um nível de proteção equivalente em uma área menor.

O material do EMAS precisa ser substituído depois de usado?

Sim. Como o material é projetado para se esfacelar e absorver a energia do avião, a seção atingida precisa ser reconstruída após qualquer uso real, o que faz parte do planejamento de manutenção do sistema.

Esse sistema é exclusividade do Brasil?

Não. O EMAS foi desenvolvido nos Estados Unidos e já está instalado em dezenas de aeroportos americanos, incluindo grandes hubs como o Aeroporto Internacional de Boston Logan, além de aeroportos em outros países que enfrentam a mesma limitação de espaço ao redor da pista.

Fontes

Para entender melhor o que acontece quando um avião sai dos limites da pista, veja nosso texto sobre excursão de pista, e conheça também como os aeroportos evitam que dois aviões se cruzem na mesma pista em nosso texto sobre invasão de pista.

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