Comissário de bordo aparece com frequência em listas de “profissões dos sonhos” no Brasil — viagens, contato com pessoas, rotina fora do escritório tradicional. Mas por trás da imagem glamourizada existe uma carreira regulada, com piso salarial definido em convenção coletiva, exigências médicas específicas e uma rotina de responsabilidade direta pela segurança dos passageiros, não só pelo conforto deles.
Imagem: Comissária de bordo em um avião comercial de bandeira americana, cena típica do dia a dia da profissão na aviação comercial. Foto via Fortepan, disponibilizada por Románé Éva, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
Vale notar que a escala de trabalho de comissários segue limites regulamentados de horas de voo e descanso obrigatório entre jornadas, definidos pela ANAC, justamente para garantir que a tripulação esteja em condições plenas de atuar em uma emergência real, mesmo após jornadas longas.
Quanto ganha um comissário de bordo em 2026
Segundo a Convenção Coletiva do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), o piso salarial do comissário de bordo é de R$ 2.694,79 em 2026. Em companhias como Latam e Gol, esse piso costuma ser um pouco mais alto — R$ 2.874,52 e R$ 2.806,39, respectivamente, segundo levantamento do Monitor do Mercado. Mas o salário-base é só parte da equação.
Por que o contracheque final costuma ser maior
Adicionais de voo, compensação orgânica (referente às horas voadas fora do horário padrão), vale-alimentação e remuneração por sobreaviso elevam a renda mensal real, que pode variar entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, dependendo da escala de voos e do tempo de casa do profissional. Ou seja: dois comissários com o mesmo piso salarial podem ter rendimentos bem diferentes no fim do mês, dependendo de quanto voam e em que condições.
Os benefícios que acompanham o cargo
Além da remuneração, o pacote de benefícios costuma incluir plano de saúde, plano odontológico, passagens aéreas com desconto para o comissário e familiares, auxílio-creche, seguro de vida e treinamentos contínuos custeados pela empresa — um pacote relativamente robusto se comparado a outras funções de nível de entrada no mercado de trabalho brasileiro.
O que mudou na formação desde 2024
Desde janeiro de 2024, as regras para obtenção da licença de comissário de voo foram atualizadas pela ANAC: não é mais obrigatório concluir um curso em escola de aviação nem realizar o exame teórico da própria agência para conseguir a licença. Na prática, porém, a maioria das companhias aéreas ainda exige formação específica nos processos seletivos, já que o treinamento cobre procedimentos de segurança, evacuação de emergência e primeiros socorros que são centrais para a função.
O CMA: o filtro que todo candidato precisa passar
Antes de sequer começar a voar, todo candidato precisa obter o Certificado Médico Aeronáutico (CMA) — no caso dos comissários, geralmente o CMA de 2ª classe, vinculado às regras da autoridade brasileira. O certificado avalia aptidão física e mental para atuar com segurança em ambiente de voo, e é um requisito recorrente, não apenas um exame único no início da carreira.
O que o trabalho envolve, além do atendimento
Embora o contato com passageiros seja a parte mais visível da função, o comissário de bordo é, antes de tudo, responsável pela segurança durante o voo — desde a checagem de equipamentos de emergência até a condução de procedimentos em situações críticas, como evacuações. Empresas valorizam, além da formação técnica, conhecimento de idiomas e experiência prévia em atendimento ao cliente, já que a comunicação clara sob pressão é parte central do trabalho.
A formação vai muito além do atendimento aos passageiros
Antes de embarcar em qualquer voo, comissários de bordo passam por um treinamento extenso, exigido por regulamentação da ANAC, que inclui primeiros socorros, combate a princípios de incêndio, evacuação de emergência em até 90 segundos (padrão exigido internacionalmente para certificação de qualquer aeronave comercial), e procedimentos específicos para pouso na água. Esse treinamento é renovado periodicamente ao longo de toda a carreira, com reciclagens obrigatórias — o que explica por que, mesmo sendo o rosto mais visível do atendimento a bordo, a função de comissário é juridicamente classificada como tripulante de segurança, e não apenas de serviço.
Perguntas frequentes
Preciso de curso superior para ser comissário de bordo?
Não é exigência legal — o requisito mínimo é o ensino médio completo, além do CMA e do treinamento específico exigido pela companhia aérea contratante. Idiomas e experiência em atendimento contam como diferenciais no processo seletivo.
Comissário de bordo é uma carreira estável no Brasil?
A demanda acompanha o crescimento do setor aéreo e costuma ser cíclica, com contratações concentradas em períodos de expansão das companhias. A remuneração e os benefícios tendem a melhorar com o tempo de casa e a categoria da aeronave em que o profissional atua.
É possível progredir na carreira de comissário de bordo?
Sim — a progressão costuma incluir a função de chefe de cabine (ou “purser”), responsável por coordenar a equipe de comissários em voos maiores, além de oportunidades de atuar em rotas internacionais, que geralmente têm remuneração diferenciada.
Qual a formação mínima para ser comissário de bordo no Brasil?
É necessário concluir um curso específico de formação de comissários, credenciado pela ANAC, que combina teoria e prática, além de passar por exames médicos e psicológicos exigidos para obter a licença que permite atuar a bordo de aeronaves comerciais.
Fontes
- Monitor do Mercado — Quanto ganha um comissário de bordo em 2026
- ANAC — Agência Nacional de Aviação Civil
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