Quando um passageiro vê logotipos como Star Alliance, Oneworld ou SkyTeam pintados ao lado da marca de uma companhia aérea, está diante de uma das engrenagens econômicas mais importantes da aviação comercial global: as alianças aéreas. Elas permitem que passageiros acumulem e resgatem milhas entre companhias parceiras, façam conexões com bagagem despachada direto até o destino final e acessem salas VIP em praticamente qualquer grande aeroporto do mundo — mesmo voando por uma companhia que nunca pousa no país de origem da aliança.
Imagem: Aeronave com pintura especial da Star Alliance pousando no aeroporto de Toronto. Foto de Eileen dover019, via Wikimedia Commons (CC0).
Vale notar que a Gol chegou a se aproximar de uma futura filiação a uma aliança internacional em diferentes momentos, mas parcerias bilaterais de codeshare continuam sendo o modelo predominante das companhias brasileiras para operar conexões internacionais.
As três grandes alianças do mundo
A Star Alliance, fundada em 1997, é hoje a maior das três, reunindo cerca de 26 companhias aéreas, incluindo nomes como Lufthansa, United, Air Canada, Singapore Airlines e Turkish Airlines. A SkyTeam, liderada por Air France-KLM e Delta, reúne hoje 19 membros. Já a Oneworld, capitaneada pela American Airlines, soma cerca de 13 companhias parceiras, incluindo British Airways e Qatar Airways.
O que uma aliança realmente entrega ao passageiro
Na prática, fazer parte de uma aliança significa compartilhar códigos de voo (code-share), permitir acúmulo e resgate de milhas em qualquer companhia do grupo, garantir conexões de bagagem entre voos de diferentes parceiros e oferecer reciprocidade de benefícios de status a viajantes frequentes — um passageiro com status elite em uma companhia costuma ter acesso a salas VIP e prioridade de embarque em todas as outras companhias da mesma aliança, mesmo sem nunca ter voado com elas antes.
O caso peculiar do Brasil: nenhuma aliança global
Apesar de ser um dos maiores mercados de aviação doméstica do mundo, o Brasil hoje não tem nenhuma companhia aérea associada oficialmente a nenhuma das três grandes alianças globais. A Varig chegou a ser membro fundador da Star Alliance em 1997, e a TAM (hoje LATAM) integrou a Oneworld por anos antes de deixar o grupo. A Avianca Brasil chegou a ingressar na Star Alliance como afiliada em julho de 2015, mas a companhia encerrou operações entre 2019 e 2020, deixando o país sem representante em nenhuma aliança global desde então.
Por que as companhias brasileiras ficaram de fora
A decisão de entrar ou sair de uma aliança envolve custos operacionais de integração de sistemas, exigências de padronização de serviço e, principalmente, a estratégia comercial de cada grupo — a LATAM, por exemplo, hoje mantém parcerias bilaterais estratégicas, como a joint venture com a Delta Air Lines, que cumprem função parecida à de uma aliança tradicional sem exigir a adesão formal a um dos três blocos.
Alianças versus parcerias bilaterais
Cada vez mais, grandes grupos aéreos têm optado por parcerias bilaterais profundas — como a joint venture entre LATAM e Delta — em vez da adesão a uma aliança global tradicional. Essas parcerias permitem compartilhamento de receita, coordenação de malha de rotas e reciprocidade de milhas de forma mais flexível, sem as amarras contratuais de longo prazo que uma aliança completa exige.
Por que o Brasil ficou de fora das três grandes alianças por tanto tempo
Apesar de ter companhias aéreas de grande porte, o Brasil historicamente teve pouca presença nas três principais alianças globais — Star Alliance, Oneworld e SkyTeam — em comparação com o tamanho do seu mercado doméstico. A Latam, maior grupo aéreo da América do Sul, chegou a fazer parte da Oneworld, mas o cenário de alianças no país é marcado por parcerias bilaterais (codeshare) mais do que pela filiação plena às alianças globais, em parte porque boa parte do tráfego aéreo brasileiro é doméstico, reduzindo o incentivo comercial imediato para associação a redes voltadas principalmente para conexões internacionais de longo curso.
Perguntas frequentes
Por que nenhuma companhia aérea brasileira faz parte de uma aliança global hoje?
A última companhia brasileira em uma aliança global foi a Avianca Brasil, afiliada à Star Alliance, que encerrou operações entre 2019 e 2020. Desde então, as grandes companhias do país optaram por parcerias bilaterais estratégicas em vez de aderir formalmente a um dos três blocos.
Vale a pena escolher uma companhia aérea pela aliança que ela integra?
Para quem viaja com frequência internacionalmente e acumula milhas, sim — a reciprocidade de benefícios entre parceiros de uma mesma aliança pode facilitar muito conexões e acesso a salas VIP. Para voos domésticos ocasionais, o impacto prático costuma ser menor.
Qual é a maior aliança aérea do mundo?
A Star Alliance é atualmente a maior das três, reunindo cerca de 26 companhias aéreas ao redor do mundo, incluindo grandes nomes como Lufthansa, United Airlines e Singapore Airlines.
Fazer parte de uma aliança beneficia diretamente o passageiro?
Sim — entre os principais benefícios estão acúmulo e resgate de milhas em qualquer companhia da aliança, reconhecimento de status de fidelidade em voos de parceiras, acesso a salas VIP compartilhadas e conexões facilitadas com despacho de bagagem direto até o destino final.
Fontes
- Oneworld — Membros da Aliança
- Melhores Destinos — Star Alliance: saiba tudo sobre a maior aliança de companhias aéreas do mundo
Entender as alianças aéreas também ajuda a explicar outras engrenagens do setor, como os programas de milhas aéreas e a disputa por slots aeroportuários nos principais hubs do mundo.



