Em 3 de setembro de 2026, a companhia aérea regional indiana FLY91 fechou um pedido firme de 40 aeronaves ATR 72-600, em um contrato avaliado em cerca de US$ 1 bilhão. É o maior pedido já feito à fabricante franco-italiana ATR por uma companhia aérea regional em quase uma década — e um sinal de que o avião turboélice, muitas vezes visto como tecnologia do passado, voltou ao centro das apostas da aviação regional.
Imagem: ATR 72-600, o mesmo modelo de turboélice encomendado pela companhia indiana FLY91. Foto de Md Shaifuzzaman Ayon, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O pedido que chamou atenção da indústria
A FLY91 começou a operar comercialmente em março de 2024 e hoje conta com uma frota de apenas seis ATR 72-600. Com o novo pedido, a companhia projeta crescer para algo em torno de 60 aeronaves ao longo dos próximos cinco anos, com entregas programadas para começar em 2027 e se estender até 2032. Segundo a FlightGlobal, é o maior pedido de ATR já feito por uma companhia aérea regional. O acordo eleva o total de pedidos firmes da ATR em 2026 para 54 aeronaves — volume que já supera o total de pedidos líquidos que a fabricante fechou em todo o ano de 2025.
Por que a Índia, e por que agora
A aviação regional indiana vive um momento de expansão acelerada, puxada por políticas de incentivo à conectividade de cidades menores e pelo crescimento da classe média em regiões fora dos grandes centros como Mumbai e Deli. Turboélices como o ATR 72 são especialmente adequados para esse mercado: consomem menos combustível que jatos em rotas curtas, operam em pistas mais curtas e exigem infraestrutura aeroportuária mais simples — características decisivas para conectar cidades que não têm demanda ou infraestrutura para receber jatos maiores.
O renascimento silencioso do turboélice
Depois de anos em que companhias aéreas do mundo todo privilegiaram jatos regionais como os da família E-Jet da Embraer, o turboélice moderno vem recuperando espaço justamente pela eficiência de combustível em rotas curtas — um fator que ganhou peso com o aumento do custo de combustível e a pressão por redução de emissões por assento transportado. A ATR, que soma a FLY91 a uma carteira de pedidos crescente em 2026, é hoje praticamente a única fabricante ocidental de turboélices regionais de grande porte ainda em produção ativa.
O que esse pedido significa para passageiros
Para o passageiro indiano de cidades menores, o efeito prático é o surgimento de rotas que antes não existiam ou dependiam de longas viagens terrestres. Para o mercado de aviação como um todo, o pedido reforça uma tendência observada em outras regiões emergentes: o crescimento da aviação regional não depende só de jatos maiores, mas também — e cada vez mais — de aeronaves menores e mais econômicas alcançando lugares que os grandes jatos nunca serviriam de forma rentável.
Perguntas frequentes
O que é a FLY91?
A FLY91 é uma companhia aérea regional indiana que iniciou operações comerciais em março de 2024, focada em conectar cidades menores da Índia com uma frota de aeronaves ATR 72-600.
O ATR 72-600 é o mesmo tipo de avião usado no Brasil?
Sim, o ATR 72-600 é operado por companhias regionais em diversos países, incluindo rotas regionais na América Latina, sendo um dos turboélices mais usados no mundo para ligações de curta distância.
Por que companhias aéreas voltaram a comprar turboélices?
Porque, em rotas curtas, o turboélice consome menos combustível por assento que um jato equivalente e opera em pistas mais curtas — vantagens que ganharam peso com o aumento dos custos de combustível e a pressão por eficiência.
Fontes
- FlightGlobal — India’s Fly91 places largest regional airline order for ATR turboprops
- Airways Magazine — FLY91 Places Firm Order for 40 ATR 72-600s
A expansão de companhias regionais como a FLY91 acontece em meio a uma disputa global por mão de obra qualificada, tema que você confere em escassez global de pilotos: por que companhias aéreas estão disputando profissionais, e ecoa outro marco recente da aviação regional, contado em Embraer entrega o 2.000º E-Jet: como a família brasileira virou a 3ª maior da história.



