Há 60 anos, um Boeing 707 batizado de "Santa Cruz" decolava para inaugurar uma ligação aérea que ajudaria a aproximar dois países separados por um oceano. Em 1966, começava a conexão entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Seis décadas depois, em setembro de 2026, a TAP Air Portugal celebrou essa data em Lisboa — e hoje sua malha no Brasil já alcança 15 cidades, entre elas duas novidades recentes: Curitiba e São Luís.
Imagem: Airbus A330-300 da TAP Air Portugal. Foto de BriYYZ from Toronto, Canada, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).
A celebração dos 60 anos de operação da TAP entre Portugal e Brasil foi realizada em Lisboa e reuniu autoridades dos dois países, entre elas o presidente da Embratur, Bruno Reis, ao lado de executivas do Visit Brasil Office. Para o CEO da TAP Air Portugal, Luís Rodrigues, a data representa "seis décadas de uma relação próxima entre os dois países": "O Brasil é parte fundamental da história e do presente da TAP, e queremos que continue a ser parte cada vez mais importante do nosso futuro", afirmou.
Em 2026, a TAP incorporou duas novas ligações diretas a partir de Lisboa: voos para Curitiba, no Paraná, e para São Luís, no Maranhão, elevando para 15 o número de cidades brasileiras atendidas pela companhia. A chegada a São Luís é particularmente simbólica, já que a capital maranhense tem seu Centro Histórico reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial pela UNESCO e é uma das principais portas de acesso aos Lençóis Maranhenses, Patrimônio Natural Mundial.
Segundo Bruno Reis, da Embratur, ampliar as portas de entrada para o Brasil significa também ampliar as possibilidades de o mundo conhecer a diversidade do país: "Chegar diretamente a mais cidades significa aproximar o turista internacional de diferentes culturas, paisagens, gastronomias e experiências brasileiras", afirmou, destacando que rotas para além dos grandes centros ajudam a levar o fluxo turístico — e os investimentos que o acompanham — para novas regiões do Brasil.
Os números ajudam a explicar a aposta da TAP no país: entre janeiro e julho de 2026, o Brasil recebeu 5.874.981 turistas estrangeiros, e desses, 177.956 vieram de Portugal — uma alta de 24,9% em relação ao mesmo período de 2025. Com esse resultado, Portugal se consolidou como o maior mercado emissor europeu de turistas para o Brasil, reforçando a importância estratégica da conectividade aérea entre os dois países.
A TAP é atualmente a companhia aérea internacional com maior presença no Brasil, oferecendo 99 voos semanais a partir de Lisboa e do Porto, com estimativa de transportar 2,1 milhões de passageiros no país ao longo de 2026. A partir de sua malha europeia em Lisboa, os passageiros ainda podem se conectar a mais de 50 cidades no continente, o que faz da rota Brasil-Portugal uma das portas de entrada mais relevantes para viajantes brasileiros rumo à Europa.
Desde sua fundação, a TAP consolidou o Brasil como um dos mercados mais estratégicos de sua rede internacional, aproveitando os laços históricos, linguísticos e culturais entre os dois países para se posicionar como principal ponte aérea entre a Europa e a América do Sul lusófona. Essa relação também transformou Lisboa em um hub natural de conexão para brasileiros que viajam à Europa continental, concorrendo diretamente com hubs como Madri e Paris na disputa por esse fluxo de passageiros.
Ampliar a malha para 15 destinos no Brasil é um movimento raro entre companhias europeias, que normalmente concentram operações sul-americanas em duas ou três capitais de maior demanda. Essa capilaridade permite à TAP capturar passageiros diretamente de cidades secundárias sem depender de conexões domésticas operadas por outras companhias, fortalecendo sua vantagem competitiva justamente no aniversário que celebra seis décadas de uma rota que ajudou a definir a identidade internacional da empresa.
Entender esse contexto mais amplo ajuda a interpretar com mais precisão o caso relatado.
Alianças como as que reúnem companhias aéreas de diferentes continentes permitem acordos de codeshare, em que um voo operado por uma companhia é vendido também com o código de outra, ampliando a rede de destinos oferecida a cada passageiro sem que a própria companhia precise operar aquela rota. Para o passageiro, isso normalmente significa acúmulo e uso de milhas entre companhias parceiras e conexões mais integradas entre voos de diferentes operadoras. Para as companhias, representa uma forma de competir em escala global sem o investimento necessário para operar diretamente em todos os mercados.
As tarifas aéreas são calculadas por sistemas de gerenciamento de receita (revenue management) que ajustam preços continuamente de acordo com a demanda prevista, o tempo restante até o voo e quantos assentos daquela classe tarifária ainda estão disponíveis. O objetivo não é simplesmente vender todos os assentos, mas maximizar a receita total do voo, o que explica por que passageiros no mesmo avião frequentemente pagaram valores bem diferentes pela mesma viagem. Esse modelo, herdado da indústria hoteleira e adaptado para a aviação nas últimas décadas, torna a comparação direta de preços entre companhias mais complexa do que parece à primeira vista.
O mercado aéreo brasileiro enfrenta particularidades que o diferenciam de outros países, como a tributação sobre combustível de aviação, que varia conforme o estado e impacta diretamente o custo operacional das companhias que mais voam em determinadas rotas. Além disso, grande parte dos custos do setor, incluindo arrendamento de aeronaves e peças de manutenção, é cotada em dólar, enquanto a receita das companhias é predominantemente em reais, criando exposição cambial relevante. Some-se a isso a necessidade constante de investimento em infraestrutura aeroportuária para acompanhar o crescimento da demanda, e fica mais claro por que o setor aéreo brasileiro opera historicamente com margens mais estreitas do que em mercados mais maduros.
Grande parte da frota mundial de aviões comerciais não pertence às companhias aéreas que os operam, mas a empresas especializadas em arrendamento, que compram aeronaves de fabricantes e as alugam para operadores por contratos de médio a longo prazo. O arrendamento operacional permite que uma companhia aérea ajuste o tamanho e a composição de sua frota de forma mais rápida do que seria possível comprando aeronaves diretamente, além de reduzir a exposição a flutuações no valor de revenda das aeronaves. Esse modelo se tornou tão relevante que hoje uma parcela significativa da frota mundial opera sob algum tipo de contrato de leasing.
Em aeroportos congestionados, o número de decolagens e pousos por hora é limitado pela capacidade física da pista, o que torna cada slot, o horário reservado para uma operação, um recurso escasso e economicamente valioso. Companhias aéreas que já operam determinados horários historicamente mantêm direitos preferenciais sobre eles, criando barreiras de entrada para novos concorrentes que queiram operar nesses aeroportos. Esse mecanismo, replicado em aeroportos movimentados ao redor do mundo, molda diretamente quais rotas são viáveis economicamente e quais companhias conseguem crescer em determinado mercado.
O combustível de aviação costuma representar uma das maiores parcelas do custo operacional de uma companhia aérea, e por isso oscilações no preço do petróleo se refletem relativamente rápido nas tarifas cobradas dos passageiros. Para reduzir essa exposição, muitas companhias utilizam instrumentos financeiros de proteção, conhecidos como hedge de combustível, que fixam parte do custo futuro a um preço previamente acordado. Mesmo com essas proteções, períodos de alta prolongada no preço do petróleo historicamente forçam reajustes tarifários ou mudanças na malha de rotas operadas.
O que é overbooking e por que acontece?É a prática de vender mais passagens do que assentos disponíveis, baseada em modelos estatísticos de no-show, passageiros que compram mas não aparecem. Quando a previsão erra, a companhia precisa oferecer compensação a quem ficar sem assento conforme regulamentação.
Pilotos de carreira ganham bem no Brasil?A remuneração varia muito conforme a posição, a companhia e a aeronave operada, sendo tipicamente mais baixa no início da carreira e crescendo significativamente com a senioridade e a passagem para aeronaves de maior porte.
A operação começou em 1966, com a ligação entre Lisboa e o Rio de Janeiro, feita por um Boeing 707 batizado de "Santa Cruz" — a mesma rota que, 60 anos depois, deu origem à celebração realizada em setembro de 2026.
Com a chegada de Curitiba e São Luís em 2026, a TAP passou a atender 15 cidades brasileiras a partir de sua base em Lisboa, consolidando a maior presença entre as companhias aéreas internacionais que operam no Brasil.
Sim. Entre janeiro e julho de 2026, Portugal foi o maior mercado emissor europeu de turistas para o Brasil, com 177.956 visitantes no período, alta de 24,9% em relação a 2025.
Para entender como companhias aéreas como a TAP ampliam seu alcance sem operar toda rota sozinhas, veja como funcionam os acordos de codeshare e como as alianças aéreas globais conectam companhias ao redor do mundo.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Esta página foi gerada pelo plugin
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!