Por 13 anos, o Embraer Phenom 300 segurou um recorde pouco conhecido fora do mundo da aviação executiva: a marca de velocidade transcontinental leste-oeste para jatos leves nos Estados Unidos. No final de agosto de 2026, essa marca caiu — e o avião que a quebrou revela um detalhe curioso sobre como recordes de velocidade são medidos e por que eles importam tanto para fabricantes de aeronaves.
Imagem: O SJ30 (então batizado Sino Swearingen SJ30-2), jato executivo leve que bateu o recorde de velocidade transcontinental antes detido pelo brasileiro Embraer Phenom 300. Foto de Tomás Del Coro, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Em voo não-oficial registrado no final de agosto de 2026, o SyberJet SJ30-2, pilotado por Gordon "Gordy" Bryan e com o CEO da SyberJet, Trevor Milton, a bordo, decolou de Jacksonville, na Flórida, e pousou em San Diego, na Califórnia, em aproximadamente 4 horas e 7 minutos, a uma velocidade média de 505,3 mph (cerca de 813 km/h). A marca superou de forma decisiva o recorde anterior da categoria C-1.f, de 339,4 mph, que pertencia ao Embraer Phenom 300 desde 2013.
Recordes desse tipo não valem apenas pelo tempo cronometrado: eles precisam ser certificados por entidades reconhecidas internacionalmente, como a National Aeronautic Association (NAA), nos Estados Unidos, e a Federation Aeronautique Internationale (FAI), organismo global que homologa recordes aeronáuticos desde 1905. O processo de certificação do voo do SJ30 estava previsto para levar cerca de 90 dias após o voo, incluindo a verificação de dados de navegação, testemunhas e conformidade com as regras da categoria.
Categorias como a C-1.f, definida pela FAI para jatos leves dentro de uma faixa específica de peso, existem justamente para permitir comparações justas entre aeronaves de porte semelhante — um Phenom 300 não compete diretamente com um jato de grande porte, mas sim com outros modelos de dimensões e propósito parecidos. Para fabricantes, bater um recorde de categoria é uma forma direta de demonstrar eficiência aerodinâmica e desempenho de motor diante de concorrentes diretos no mercado de aviação executiva.
Lançado pela Embraer em 2009, o Phenom 300 se tornou um dos jatos executivos leves mais vendidos do mundo, e sua marca de velocidade transcontinental resistiu por mais de uma década — um intervalo longo para os padrões da aviação executiva, onde novos modelos costumam disputar recordes de categoria a cada poucos anos. A queda do recorde não diminui o histórico comercial do Phenom 300, mas mostra como a concorrência na faixa de jatos leves segue ativa.
O voo recorde acontece às vésperas da apresentação do SJ36, próximo modelo da SyberJet, sinalizando um momento de retomada para a fabricante, que atravessou dificuldades financeiras ao longo de sua história sob o nome anterior, Sino Swearingen. Para a empresa, o recorde funciona tanto como validação técnica quanto como estratégia de marketing antes do lançamento do novo jato.
No momento do voo, o recorde era classificado como não-oficial, aguardando certificação da National Aeronautic Association e da Federation Aeronautique Internationale, processo que costuma levar cerca de 90 dias.
O SJ30 simplesmente voou a marca mais rápida na mesma rota e categoria, superando a velocidade média que o Phenom 300 havia registrado em 2013. Recordes de categoria são superados quando uma aeronave mais rápida cumpre o mesmo percurso em menos tempo, dentro das mesmas regras de homologação.
É uma classificação da Federation Aeronautique Internationale (FAI) para aeronaves a jato dentro de uma faixa específica de peso, criada para permitir comparações justas de desempenho entre aeronaves de porte semelhante, como os jatos executivos leves.
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