Em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris, o brasileiro Alberto Santos Dumont decolou a bordo do 14-Bis e percorreu 60 metros pelo ar sem qualquer auxílio externo — um dos marcos mais disputados (e mais brasileiros) da história da aviação. Cento e vinte anos depois, a única réplica voadora em tamanho real dessa aeronave está em exposição gratuita em São Paulo, e qualquer pessoa pode vê-la de perto.
Imagem: Alan Calassa, piloto e construtor das réplicas do 14-Bis — incluindo a que está exposta em São Paulo —, se prepara para voar com a aeronave no Aeroclube de Bauru. Foto de Marco Aurélio Esparza, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
Para celebrar os 120 anos do histórico voo, o Shopping Interlagos, na zona sul de São Paulo, recebe entre os dias 28 de agosto e 28 de setembro de 2026 a exposição gratuita "Santos Dumont – 120 Anos do Voo do 14-Bis". A peça central é a única réplica voadora em tamanho real da aeronave, instalada na praça de eventos do shopping, com 99% de fidelidade ao projeto original.
A reconstrução seguiu um rigoroso processo de engenharia reversa, utilizando materiais idênticos aos empregados na década de 1900: bambu cana-da-índia na estrutura, seda japonesa no revestimento das superfícies, cordas de piano nos cabos de comando e madeira freijó nas partes estruturais. O projeto teve parcerias técnicas com a Embraer, a Força Aérea Brasileira e o Museu Aeroespacial.
A réplica é obra de Alan Calassa, inventor, empresário e presidente do Instituto de Desenvolvimento Aeronáutico de Caldas Novas (IDAC). Calassa dedicou décadas de pesquisa à reconstrução do 14-Bis e já construiu quatro réplicas exatas da aeronave, destinadas a museus na França, em Portugal e nos Estados Unidos. Reconhecido pela própria família de Santos Dumont, ele é hoje o único piloto ativo desse tipo de aeronave no mundo.
O 14-Bis alçou voo pela primeira vez em 23 de outubro de 1906, percorrendo 60 metros a poucos metros de altura, sem catapulta, vento a favor ou qualquer outro artifício externo — condição que os defensores de Santos Dumont consideram decisiva para atribuir a ele o primeiro voo homologado de um avião mais pesado que o ar. Semanas depois, em 12 de novembro daquele ano, a aeronave voou 220 metros em 21 segundos, consolidando o feito.
Além da réplica do 14-Bis, os visitantes da exposição em São Paulo também podem conferir uma réplica da Demoiselle, outro projeto de Santos Dumont — um monoplano leve e ágil considerado um precursor dos aviões esportivos modernos —, além de painéis informativos e vídeos sobre a trajetória do inventor brasileiro.
Sim, é uma réplica voadora e homologada, embora na exposição do shopping ela fique estática, disponível para o público observar de perto.
Não. A exposição no Shopping Interlagos é gratuita e fica em cartaz entre 28 de agosto e 28 de setembro de 2026.
Defensores de Santos Dumont argumentam que o voo dos irmãos Wright, em 1903, dependeu de catapulta e vento forte contra a aeronave para decolar, enquanto o 14-Bis decolou por seus próprios meios — uma diferença que ainda alimenta debate histórico entre os dois países.
A polêmica em torno do pioneirismo de Santos Dumont é só um capítulo da história dele: veja também por que a NASA ignorou Santos Dumont, e conheça outras curiosidades sobre os modelos e características dos aviões comerciais que vieram décadas depois do 14-Bis.
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