Em 2025, cerca de 24 milhões de malas tiveram algum tipo de problema em voos pelo mundo — uma mala a cada poucos segundos, em algum aeroporto, em algum lugar. O número parece alarmante, mas representa uma queda de 19% em relação ao ano anterior, segundo o relatório Baggage IT Insights 2026, da SITA, empresa de tecnologia que fornece o sistema usado por cerca de 500 companhias aéreas e 2.800 aeroportos para rastrear bagagens. E há um dado ainda mais expressivo: bagagens equipadas com rastreadores como o AirTag tiveram uma redução de 90% nos casos considerados definitivamente perdidos.
Imagem: Esteira de retirada de bagagem em um terminal de aeroporto internacional. Foto de Stimpy, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Apesar da melhora, o extravio de bagagens ainda custou US$ 6,3 bilhões ao setor aéreo em 2025 — o equivalente a cerca de 15% do lucro total da indústria naquele ano, segundo a SITA. O custo médio por mala com problema subiu para US$ 260, vindo de uma referência anterior de US$ 150, puxado por despesas de recuperação, reenvio e entrega ao passageiro. Bagagens atrasadas (que chegam depois do passageiro, mas não são perdidas) respondem por cerca de 70% desse custo total, enquanto malas definitivamente perdidas ou danificadas pesam mais no orçamento por gerarem indenizações diretas aos passageiros.
O maior causador de problemas de bagagem não é o manuseio dentro de um único aeroporto, mas a transferência entre voos: conexões malsucedidas respondem por 39% dos casos registrados em 2025. Depois vêm erros de bilhetagem, trocas de etiqueta e falhas em procedimentos de segurança (18%), falhas no carregamento da aeronave (16%), problemas de alfândega, clima e limitações de peso ou espaço (11%), e erros no carregamento e descarregamento físico das malas (8%). Essa concentração em conexões explica por que voos com múltiplas escalas, especialmente entre companhias diferentes, tendem a ter mais incidentes do que voos diretos.
A grande mudança dos últimos anos veio de um lugar inesperado: rastreadores de consumo, como o AirTag da Apple, colocados pelos próprios passageiros dentro da mala. Segundo a SITA, bagagens com esse tipo de acessório tiveram 90% menos chance de serem classificadas como definitivamente perdidas, porque companhias aéreas que integraram a rede "Find My" da Apple ao sistema de rastreamento profissional WorldTracer conseguem localizar a mala mesmo quando o sistema interno do aeroporto perde o rastro dela. Essa integração também acelerou a devolução de malas atrasadas: o tempo médio de localização e retorno caiu 26% nos voos em que a tecnologia foi usada.
Por trás de cada etiqueta de bagagem despachada existe um sistema que registra cada ponto de leitura da mala — no check-in, no carregamento, em cada conexão e no desembarque. Quando uma leitura esperada não acontece, o sistema sinaliza a irregularidade automaticamente, permitindo que as equipes de solo tentem interceptar a mala antes mesmo que o passageiro perceba o problema no desembarque. É esse mesmo tipo de coordenação entre companhias, aeroportos e empresas de handling aeroportuário que discutimos em nosso texto sobre como funciona a operação de solo.
Para o passageiro, o recado prático da pesquisa da SITA é direto: colocar um rastreador pessoal dentro da bagagem despachada reduz sensivelmente o risco de nunca mais recuperá-la, mesmo que ela ainda possa chegar atrasada. E, quando o assunto é decidir quanto pagar por franquia de bagagem despachada versus carregar tudo na cabine, vale lembrar que voos com conexão — justamente os que mais geram extravio — são também os que mais se beneficiam dessa camada extra de rastreamento.
A maior parte dos quase 24 milhões de casos registrados em 2025 envolveu atraso, não perda definitiva — bagagens atrasadas respondem por cerca de 70% do custo total do problema, enquanto a perda definitiva é uma fração menor, justamente a que mais caiu com o uso de rastreadores pessoais.
Funciona em qualquer bagagem que viaje no porão, desde que o aparelho tenha bateria e esteja dentro do alcance da rede de localização (como a rede Find My da Apple). A eficácia aumenta quando a companhia aérea integra oficialmente esses dados ao próprio sistema de rastreamento, como relatado pela SITA.
Sim, de forma geral. Como conexões entre voos são a principal causa de problemas de bagagem (39% dos casos), voos sem escala tendem a apresentar risco menor do que itinerários com transferências, especialmente entre companhias aéreas diferentes.
Para entender por que cada companhia cobra um valor diferente pela mala despachada, veja nosso texto sobre franquia de bagagem, e conheça quem cuida fisicamente das suas malas entre o check-in e o avião em nosso texto sobre handling aeroportuário.
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