Virar piloto de avião no Brasil costuma ser descrito como um sonho caro, mas poucas pessoas fora do meio sabem exatamente onde esse dinheiro vai. Não é uma única mensalidade nem uma matrícula fechada: é uma soma de licenças, horas de voo, taxas regulatórias e material didático que se acumulam ao longo de anos, e o valor final muda bastante dependendo de qual carreira o aluno pretende seguir, se é para voar por hobby ou para viver disso profissionalmente.
Imagem: Cessna 172, aeronave tipicamente usada na formação de pilotos privados e comerciais. Foto de Steve42467, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
A licença de Piloto Privado, regulada pelo RBAC 61 da ANAC, é o ponto de partida obrigatório de qualquer carreira como piloto no Brasil. O custo total para obter essa licença costuma variar entre R$ 45 mil e R$ 85 mil, dependendo da escola, da região do país e do tipo de aeronave usada no treinamento, um valor que inclui horas de voo, curso teórico, exame médico aeronáutico, taxas da ANAC e material didático.
O RBAC 61 exige um mínimo de 35 horas de voo para a licença de Piloto Privado, mas, na prática, a maioria dos alunos completa o curso entre 40 e 50 horas, já que o ritmo de aprendizado varia de pessoa para pessoa. Cada hora de voo adicional além do pacote inicial representa um custo extra que pode ir de R$ 400 a R$ 800, dependendo do modelo de aeronave utilizado pela escola, o que explica por que o orçamento final de muitos alunos ultrapassa a estimativa inicial.
Quem quer transformar voar em profissão precisa avançar para a licença de Piloto Comercial, que normalmente inclui também habilitações complementares como voo por instrumentos e multimotor, praticamente indispensáveis para conseguir uma vaga em companhias aéreas. Somando tudo, do zero até estar qualificado como Piloto Comercial, o investimento total costuma ficar entre R$ 130 mil e R$ 300 mil, um intervalo amplo que reflete diferenças entre escolas, regiões e a quantidade de horas extras que cada aluno acaba precisando.
Poucas famílias conseguem pagar essa formação à vista, então boa parte dos alunos recorre a financiamento. Algumas escolas de aviação oferecem parcelamento próprio, diluindo o pagamento ao longo do curso, enquanto outras têm parcerias com bancos e financeiras específicas para crédito estudantil aeronáutico. Há também quem opte por crédito pessoal convencional, embora as taxas de juros nesse caso tendam a ser menos vantajosas do que as linhas pensadas especificamente para esse mercado.
O alto investimento inicial costuma ser avaliado em conjunto com a perspectiva salarial da profissão: pilotos no início de carreira em companhias regionais ganham menos do que capitães experientes em grandes companhias internacionais, e o retorno financeiro do curso tende a se concretizar apenas anos depois da formatura, conforme o piloto acumula horas de voo e sobe de posição dentro das companhias aéreas.
É difícil, mas não impossível: alunos que completam o curso próximo do mínimo de horas exigido pelo RBAC 61, em escolas com custos mais baixos, podem gastar valores próximos do piso da faixa, embora a maioria acabe no meio ou no topo do intervalo por causa de horas extras de voo.
A ANAC não impõe um prazo rígido único para concluir a formação, mas as escolas costumam ter cronogramas próprios, e a validade de certos exames e certificados, como o exame médico aeronáutico, exige renovação periódica durante o processo.
Depende do plano de carreira de cada aluno; financiar pode viabilizar o sonho de voar profissionalmente, mas é importante considerar o tempo que leva para o salário como piloto comercial compensar o valor financiado, algo que varia bastante de caso para caso.
Depois de entender o investimento, veja também quanto ganha um piloto no Brasil e quais são as licenças da ANAC que marcam cada etapa dessa carreira.
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