Quem observa um avião comercial saindo do portão de embarque provavelmente já reparou em um detalhe estranho: a aeronave não sai andando para frente por conta própria, ela é empurrada para trás por um trator até ficar livre para taxiar sozinha. Esse procedimento, chamado de pushback, existe por um motivo simples: os motores de um avião comercial moderno não foram feitos, e não são autorizados, a colocá-lo em marcha à ré com segurança.
Imagem: Operação de pushback de uma aeronave comercial. Foto de Monaam Ben Fredj, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Tecnicamente, alguns aviões já foram capazes de dar ré usando reversores de empuxo, uma técnica chamada de powerback, usada esporadicamente no passado por algumas companhias para economizar tempo. Na prática, essa manobra caiu em desuso porque o jato dos motores a plena potência reversa gera ruído excessivo, consome muito combustível para uma manobra tão curta, levanta detritos do pátio que podem ser sugados pelos motores, montados sob as asas na maioria dos aviões modernos, e reduz a visibilidade dos pilotos sobre o que está atrás da aeronave, aumentando o risco de colisão com equipamentos ou pessoas no solo.
O pushback é realizado por um trator de reboque especializado, conectado ao trem de pouso do nariz da aeronave por uma barra de reboque adequada ao modelo do avião, ou, nos equipamentos mais modernos, por tratores towbarless que erguem a roda do nariz diretamente sem barra externa. Um operador de solo dirige o trator, seguindo instruções combinadas previamente com a tripulação por rádio ou headset conectado à aeronave, enquanto sinaleiros no pátio observam a área ao redor para garantir que nada bloqueie o caminho.
Antes do pushback começar, a tripulação confirma com o operador de solo que os freios do avião estão liberados e que está tudo pronto para a manobra, um processo padronizado com fraseologia específica para evitar mal-entendidos. Durante o movimento, o operador de solo mantém contato constante com o cockpit, e é somente após a aeronave estar posicionada e desconectada do trator que os pilotos ligam os motores e assumem o controle total do taxiamento até a pista.
Uma tecnologia em desenvolvimento chamada WheelTug propõe eliminar a necessidade de tratores de pushback em parte das operações: um motor elétrico acoplado à roda dianteira do trem de pouso seria capaz de movimentar a aeronave, incluindo pushback e taxiamento em baixa velocidade, sem que os motores principais estejam ligados. A promessa é reduzir o consumo de combustível durante o taxiamento e agilizar o giro das aeronaves nos aeroportos, embora a adoção em larga escala ainda seja limitada.
Apesar de ser uma operação rotineira, o pushback exige coordenação precisa: colisões entre o trator e a aeronave, ou entre a aeronave e obstáculos no pátio, estão entre os incidentes de solo mais comuns na aviação comercial, embora raramente resultem em ferimentos. Por isso, aeroportos e companhias aéreas investem em procedimentos padronizados, sinalização clara no pátio e checklists específicos para essa fase aparentemente simples, mas tecnicamente delicada, do voo.
Aeronaves maiores estacionadas de forma que a saída para frente não é possível, o que é comum na maioria dos portões de aeroportos comerciais, dependem do pushback. Aeronaves menores ou posicionadas de outra forma no pátio às vezes conseguem taxiar para frente por conta própria.
Os pilotos permanecem na cabine e operam os freios quando necessário, mas quem dirige e controla a direção do conjunto é o operador do trator no solo, seguindo instruções combinadas antes do início da manobra.
Atrasos no pushback geralmente estão ligados à fila de espera por um trator disponível, liberação do controle de solo do aeroporto, ou à necessidade de aguardar espaço livre no pátio antes de iniciar a manobra com segurança.
O trem de pouso usado nessa manobra é o mesmo que sustenta o avião no pouso e na decolagem; veja como funciona o trem de pouso de um avião comercial, e entenda também como funcionam os aeroportos por trás das operações no pátio.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Esta página foi gerada pelo plugin
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!