Pressurização de Cabine: Por Que o Ouvido Tampa no Avião?

A 11 mil metros de altitude, o ar lá fora é rarefeito demais para manter uma pessoa consciente por mais que alguns minutos. Ainda assim, você consegue viajar horas a fio respirando normalmente, sem nenhum equipamento especial. Isso só é possível por causa de um sistema que trabalha o voo inteiro sem que ninguém perceba: a pressurização da cabine.

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Imagem: cabine de passageiros de um Boeing 787-9 Dreamliner. Foto de Lazar Perteši, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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Vale notar que a velocidade da mudança de pressão também importa, não só o valor final — por isso pilotos controlam a taxa de subida e descida da pressurização de forma gradual, mesmo em subidas ou descidas rápidas da aeronave, para minimizar o desconforto nos ouvidos dos passageiros.

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Por que o avião precisa pressurizar a cabine

Aviões comerciais cruzam entre 9 e 12 mil metros de altitude, onde a pressão atmosférica é tão baixa que o corpo humano não consegue absorver oxigênio suficiente — o quadro é conhecido como hipóxia, e pode causar desde raciocínio lento e visão turva até perda de consciência em poucos minutos. Para evitar isso, o sistema de pressurização injeta ar comprimido, retirado dos motores ou de compressores dedicados, para manter a cabine numa pressão muito mais alta do que a do ar externo.

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A cabine não fica exatamente ao nível do mar

Diferente do que muita gente imagina, a cabine não é pressurizada a uma pressão idêntica à do nível do mar — isso exigiria uma estrutura de fuselagem pesada demais para ser viável. Em vez disso, a regulamentação de aviação (como a norma 14 CFR 25.841 nos Estados Unidos, referência usada mundialmente) permite que a cabine opere numa "altitude de cabine" de até aproximadamente 2.400 metros (8.000 pés) mesmo quando o avião está voando a 12 mil metros reais — o equivalente à sensação de estar no topo de uma montanha moderada, perfeitamente tolerável para a maioria dos passageiros.

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Por que o ouvido tampa na decolagem e no pouso

O ouvido humano tem uma pequena estrutura, a tuba auditiva, que equaliza a pressão entre o ambiente externo e o ouvido médio. Durante a decolagem e a subida, a pressão da cabine cai gradualmente até estabilizar na "altitude de cabine" de cruzeiro; na descida, o processo se inverte e a pressão volta a subir. Essas mudanças de pressão, mesmo controladas e graduais, são rápidas o suficiente para que a tuba auditiva não acompanhe instantaneamente — daí a sensação de ouvido tampado, aliviada ao bocejar, engolir ou mascar chiclete.

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O que aconteceria sem pressurização

Uma falha total de pressurização em altitude de cruzeiro é uma das emergências mais treinadas por pilotos: as máscaras de oxigênio caem automaticamente, e a tripulação inicia uma descida de emergência rápida para uma altitude onde o ar já é respirável sem assistência, geralmente abaixo de 3 mil metros — um procedimento padronizado e praticado em simulador por todos os pilotos comerciais.

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Por que aviões não voam sempre na altitude mais eficiente

Quanto mais alto o avião voa, menor a resistência do ar e maior a eficiência de combustível — por isso muitos voos de longa distância cruzam acima de 11 mil metros. Mas voar mais alto também exige uma diferença de pressão maior entre o interior e o exterior da cabine, o que aumenta o estresse estrutural na fuselagem a cada ciclo de subida e descida. Engenheiros calculam a altitude de cruzeiro ideal balanceando economia de combustível, capacidade do sistema de pressurização e limites estruturais da aeronave — é por isso que aviões maiores e mais modernos, com fuselagens reforçadas como a do Boeing 787 (que pressuriza a cabine para uma altitude equivalente menor, cerca de 1.800 metros, em vez dos tradicionais 2.400), conseguem oferecer mais conforto aos passageiros em voos longos.

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Perguntas frequentes

A cabine do avião fica com a mesma pressão do nível do mar?

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Não. Ela é mantida numa "altitude de cabine" de até cerca de 2.400 metros (8.000 pés), mesmo com o avião voando muito mais alto — suficiente para respirar normalmente sem ser uma pressão idêntica à da praia.

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Por que meu ouvido dói mais em alguns voos do que em outros?

Gripes, sinusite e alergias podem dificultar a equalização natural feita pela tuba auditiva, tornando a sensação de pressão mais incômoda em alguns voos do que em outros, mesmo com o sistema de pressurização funcionando normalmente.

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O que os pilotos fazem se a cabine perde pressurização?

As máscaras de oxigênio caem automaticamente e a tripulação realiza uma descida de emergência controlada para uma altitude mais baixa, onde o ar já é respirável sem assistência — um procedimento padrão treinado exaustivamente em simulador.

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Por que aviões menores costumam voar em altitudes mais baixas?

Jatos regionais e turboélices geralmente têm sistemas de pressurização menos robustos e motores otimizados para altitudes mais baixas do que grandes jatos comerciais, o que naturalmente limita sua altitude de cruzeiro típica a valores menores do que os de aeronaves widebody de longo curso.

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Fontes

  • Why Are Airplanes Pressurized? — Smithsonian, How Things Fly
  • 14 CFR 25.841 — Pressurized cabins — eCFR (regulamentação oficial da FAA)
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Esse mesmo tipo de engenharia de segurança redundante aparece no furinho da janela do avião, e na forma como a asa do avião foi projetada para sustentar toda a aeronave no ar.

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