Todos os dias, milhões de passageiros atravessam um corredor metálico sem nem perceber que estão sobre rodas: a ponte de embarque, também chamada de "finger" no Brasil, jetway ou passenger boarding bridge (PBB). Esse túnel telescópico que liga a sala de espera diretamente à porta do avião existe há mais de 65 anos e é hoje um padrão em praticamente todo grande aeroporto do mundo — mas poucos sabem como ele realmente funciona.
Imagem: ponte de embarque telescópica conecta o terminal à porta do avião no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Foto de Matti Blume, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
A ponte de embarque é uma estrutura móvel e coberta que se estende do portão do terminal até a porta da aeronave, permitindo que passageiros embarquem e desembarquem sem exposição ao tempo — chuva, sol ou vento — e sem precisar descer escadas até o pátio. Ela é dividida em duas partes principais: a "rotunda", fixa à parede do terminal, e a "cabine" (cab), a extremidade móvel que se encaixa na porta do avião, apoiada sobre rodas motorizadas.
Um operador treinado comanda a ponte a partir de uma pequena cabine de controle, hoje geralmente equipada com joystick multieixo e tela indicando distância e ângulo até a porta do avião. A partir daí, o túnel pode se estender ou retrair como uma luneta, subir ou descer para se alinhar com aviões de alturas diferentes — de um Embraer regional a um Boeing 777 — e girar em torno do eixo da rotunda para alcançar o ângulo correto da porta. A ponta da cabine tem uma espécie de sanfona de borracha que veda o encontro com o casco do avião, evitando entrada de vento e chuva durante o processo.
Instalar e manter uma ponte de embarque é caro, e por isso aeroportos menores ou companhias de baixo custo muitas vezes preferem o embarque remoto, por escada móvel, especialmente para voos domésticos de curta distância. Além do custo, aviões muito pequenos (como turboélices regionais) às vezes têm portas em posições incompatíveis com o alcance padrão das pontes, exigindo embarque a pé pelo pátio.
A primeira versão do conceito surgiu ainda nos anos 1930, com passarelas móveis e coberturas telescópicas testadas em aeroportos do Reino Unido e dos Estados Unidos. Mas a primeira ponte de embarque como a conhecemos hoje só foi instalada em 1959, no Aeroporto de LaGuardia, em Nova York — um marco que mudou a forma como o mundo embarca em aviões e tornou o processo mais rápido, mais acessível para pessoas com mobilidade reduzida e menos dependente do clima.
Depende do contrato local: em muitos aeroportos a operação fica a cargo da própria companhia aérea ou de uma empresa de serviços de solo contratada por ela; em outros, é o operador do aeroporto quem cuida do equipamento e do pessoal.
Não automaticamente — ela precisa se ajustar em altura, ângulo e extensão para alcançar a porta de cada modelo de aeronave, e operadores são treinados especificamente para isso. Aviões muito pequenos às vezes não são compatíveis com o alcance da ponte.
Isso costuma acontecer em aeroportos menores, em portões remotos sem ponte instalada, ou quando o voo é operado por companhias de baixo custo que preferem o embarque remoto para reduzir custos operacionais e o tempo de giro da aeronave no solo.
Quer conhecer outros sistemas que fazem o avião funcionar no solo e no ar? Veja como a energia chega à aeronave antes dos motores ligarem em APU: Como a Unidade Auxiliar de Energia Liga o Avião Antes dos Motores e como os motores ajudam a frear o avião na pista em Reversor de Empuxo: Como os Motores Ajudam a Frear o Avião na Pista.
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