Existe uma crença quase universal entre passageiros: quanto mais barata a passagem, maior o risco de voar com uma companhia que corta custos em manutenção, treinamento e procedimentos de segurança. Um estudo publicado em outubro de 2026 pela AirAdvisor, empresa especializada em direitos de passageiros aéreos, pôs essa crença à prova com dados concretos de uma década — e o resultado incomoda quem já decidiu nunca voar por uma companhia low-cost por achar que está economizando dinheiro às custas da própria segurança.
Imagem: Boeing 737 MAX 8-200 da Ryanair, companhia low-cost que aparece em segundo lugar no ranking europeu de segurança aérea de 2026. Foto de Hugo LUC, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O European Airline Safety Index 2026, publicado pela AirAdvisor, comparou 20 das principais companhias aéreas europeias — sendo dez low-cost e dez tradicionais —, usando dados de voo da Eurocontrol relativos a 2025 e um histórico de segurança cobrindo o período de 2016 a 2025. A metodologia atribui a cada companhia uma pontuação de até 100 pontos, com histórico de acidentes pesando 40% da nota final. O restante é dividido entre certificações e auditorias (20%), procedimentos operacionais de segurança (15%), idade e características técnicas da frota (10%), treinamento de pilotos (10%) e estabilidade financeira (5%).
No topo do ranking está a grega Aegean Airlines, com 89 pontos — uma companhia tradicional. Mas logo atrás vem a Ryanair, com 86 pontos, a mais conhecida das low-cost europeias, à frente de gigantes tradicionais como Lufthansa, Iberia e KLM. Completando o top 5 estão a Austrian Airlines (85,5), a low-cost Norwegian (85) e a também low-cost SunExpress (84,5). Ou seja: três das cinco primeiras colocadas no ranking de segurança são companhias de baixo custo — exatamente o segmento que a maioria dos passageiros associa a mais risco, não a menos.
Olhando para a média geral, as companhias low-cost somaram 79,2 pontos contra 82,8 das tradicionais — uma diferença de 3,6 pontos que, à primeira vista, confirma a expectativa. Mas, quando o recorte é especificamente o item de maior peso, histórico de segurança, a distância praticamente desaparece: 34,3 de 40 pontos possíveis para as low-cost, contra 35,5 para as tradicionais. E em um critério específico, características técnicas da frota, as low-cost pontuaram até melhor: 7,8 de 10, contra 7,1 das companhias tradicionais — reflexo, em parte, do fato de que muitas low-cost operam frotas mais novas e padronizadas em um único modelo de aeronave.
Se a presença de low-cost no topo surpreende, o fim do ranking surpreende pelo motivo oposto: entre as quatro piores posições aparecem a Vueling (17ª), a Jet2.com (18ª), a tradicional suíça SWISS (19ª) e a turca Pegasus Airlines, na última posição, com 64,5 pontos. Ou seja, nem toda companhia tradicional está entre as mais bem avaliadas, e nem toda low-cost está no topo — o que reforça que o modelo de negócio, isoladamente, não é um bom previsor de segurança.
A própria AirAdvisor faz questão de frisar um ponto: uma posição mais baixa no ranking não significa que uma companhia seja insegura. O índice é um estudo privado, baseado em dados públicos e metodologia própria da empresa — não é uma classificação oficial de nenhuma autoridade de aviação civil europeia ou da União Europeia. Ainda assim, é um raro esforço de quantificar, com dados concretos de uma década, uma pergunta que a maioria dos passageiros responde apenas por intuição.
Segundo o European Airline Safety Index 2026, da AirAdvisor, a diferença média entre os dois grupos é pequena — 3,6 pontos em 100 — e praticamente desaparece quando o recorte é especificamente histórico de acidentes, o critério de maior peso na metodologia. Três companhias low-cost (Ryanair, Norwegian e SunExpress) ficaram entre as cinco mais bem avaliadas de toda a Europa.
A grega Aegean Airlines liderou o ranking com 89 pontos em 100, seguida pela low-cost irlandesa Ryanair, com 86 pontos — à frente de companhias tradicionais consolidadas como Lufthansa, Iberia e KLM.
Não. O European Airline Safety Index é um estudo privado conduzido pela AirAdvisor, empresa de direitos de passageiros, com metodologia e pontuação próprias. A própria empresa ressalta que uma posição mais baixa no ranking não significa que a companhia seja insegura — é uma comparação relativa, não uma certificação de segurança.
Esse tipo de comparação entre companhias também passa por quem está nos bastidores da operação: veja como funciona o seguro aeronáutico que protege frotas e passageiros, e como a indústria de MRO mantém aviões de qualquer companhia, barata ou tradicional, aptos a voar com segurança.
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