Um estudo divulgado em 19 de outubro de 2026 pelo Núcleo de Estudos Estratégicos da Forças de Defesa propõe um investimento de R$ 268 bilhões para a Força Aérea Brasileira (FAB) entre 2027 e 2041 — parte de um cenário mais amplo de R$ 800 bilhões para as Forças Armadas no mesmo período. É apenas uma proposta técnica, não uma decisão de governo fechada, mas o documento detalha exatamente quais aviões, radares e sistemas entrariam na conta. Para quem acompanha aviação, é uma boa desculpa para entender o que cada uma dessas aeronaves realmente faz.
Imagem: KC-390 da Força Aérea Brasileira: o estudo propõe a compra de mais dez unidades até 2041. Foto de Steve Lynes, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
O estudo propõe uma frota total de 66 caças Gripen E/F — bem mais que os 36 já contratados em 2014 (28 de um lugar e 8 de dois lugares). Hoje, a FAB já tem 11 Gripens E entregues, segundo levantamentos do setor, e a Embraer está montando parte dos jatos em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, com o primeiro exemplar 100% fabricado no Brasil tendo voado em outubro de 2026. O documento também sugere a compra de outros 36 caças que atendam a requisitos de quinta geração — sem especificar qual aeronave, já que isso dependeria de avaliação técnica e de propostas comerciais futuras.
Outro ponto do estudo é a participação do Brasil no projeto de aeronave não tripulada sueca Saab A3-001, apresentada como cooperação tecnológica para desenvolver um complemento não tripulado para os próprios Gripens. O número de aeronaves de produção final dependeria de decisões futuras, do avanço do projeto e de orçamento próprio — ou seja, é a parte mais especulativa do plano.
A lista de equipamentos de apoio é longa: o estudo propõe dez KC-390 adicionais (a FAB já opera 8 unidades do avião multimissão da Embraer), quatro aeronaves de alerta antecipado GlobalEye, oito C295 em configuração de patrulha marítima, e quatro novas aeronaves-tanque A330 MRTT para reabastecimento em voo. Hoje a Força Aérea já opera dois KC-30 (A330-200 convertidos para reabastecimento), mas a conversão de tanque de parte dessa frota ainda não havia começado até agosto de 2026, segundo registros do setor — o que mostra por que o estudo trata o reabastecimento aéreo como prioridade.
O horizonte do estudo é 2027 a 2041 — 15 anos, o que atravessa várias gestões de governo e torna a execução incerta por definição. O documento condiciona os valores a avaliações técnicas e propostas comerciais futuras, e vincula os investimentos aéreos a planos paralelos na Marinha e no Exército, incluindo defesa aérea, vigilância marítima e sistemas conjuntos de comando e comunicação. Também entram na conta o míssil de cruzeiro MICLA-BR, radares, abrigos (shelters), simulação e estoque de componentes — ou seja, não é só sobre comprar aviões novos, mas sobre manter os que já existem voando.
Não. É um estudo técnico do Núcleo de Estudos Estratégicos da Forças de Defesa, que propõe um cenário de investimento — não uma decisão orçamentária já aprovada pelo governo federal.
Segundo levantamentos do setor, a FAB tinha 11 caças Gripen E entregues até junho de 2026, de um contrato original de 36 aeronaves firmado em 2014.
Eles ampliariam a capacidade da FAB de reabastecer outras aeronaves em pleno voo, estendendo o alcance operacional de caças e aviões de transporte sem a necessidade de pousar para reabastecer.
Para entender melhor duas das aeronaves centrais desse plano, veja como o KC-390 também vira um avião-bombeiro no combate a incêndios na Amazônia, e reveja o momento em que decolou o primeiro Gripen E 100% fabricado no Brasil.
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