O "Carro Voador" Brasileiro Já Tem 2.700 Pedidos — e Ainda Não Pode Voar com Passageiros

Ele não tem rodas, não anda no asfalto e, tecnicamente, nem é um carro — mas a imprensa já o apelidou de "carro voador" e o nome pegou. O Eve 100, eVTOL 100% elétrico da Eve Air Mobility, companhia ligada à Embraer, já acumula 2.700 pedidos de intenção de compra e firmes em oito países, segundo o CEO Johann Bordais em entrevista à CNN Brasil em outubro de 2026. O detalhe: a aeronave ainda não tem certificação em nenhum país do mundo.

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Imagem: jato comercial Embraer E195-E2 em exibição estática no Paris Air Show. A Eve Air Mobility, fabricante do eVTOL citado nesta matéria, é uma companhia ligada à Embraer. Foto de Matti Blume, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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O que é o eVTOL da Eve Air Mobility

O Eve 100 é uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical com capacidade para 1 piloto e 4 passageiros. Ele usa 8 motores elétricos para a fase de voo vertical; depois de atingir entre 110 e 120 km/h, os motores de sustentação vertical se desligam e a aeronave passa a voar apoiada pelas próprias asas, de forma semelhante a um avião convencional — uma arquitetura que busca equilibrar a eficiência energética do voo horizontal com a capacidade de pousar e decolar sem pista.

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2.700 pedidos em oito países: quem está comprando

Segundo Bordais, os 2.700 pedidos somam cartas de intenção e pedidos firmes espalhados por oito países, com valor total estimado em US$ 13,5 bilhões. Entre os clientes citados está a Revo, operadora de helicópteros de São Paulo, que aguarda o lançamento comercial da aeronave. São Paulo é descrita pela empresa como um mercado prioritário — não por acaso, já que a capital paulista tem mais de 165 heliportos, uma infraestrutura que poderia, em tese, ser adaptada para receber eVTOLs sem grandes obras.

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Quanto custa e quanto custa operar

Cada unidade do Eve 100 deve custar cerca de US$ 5 milhões. Segundo a companhia, o custo operacional estimado é de 25% a 30% menor que o de helicópteros comparáveis — que normalmente exigem dois pilotos e duas turbinas, contra a arquitetura mais simples do eVTOL. O alcance máximo da aeronave é de 80 a 85 km, o que a empresa diz ser suficiente para cobrir as rotas de 30 a 40 km mapeadas pela maioria dos clientes interessados, voos típicos de deslocamento dentro de grandes regiões metropolitanas. O tempo de recarga é de aproximadamente 1 minuto para cada minuto de voo.

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Os vertiports: onde esses "carros voadores" vão pousar

A infraestrutura prevista para operar o Eve 100 não depende da construção de aeroportos inteiros: heliportos já existentes poderiam ser eletrificados e convertidos em vertiports, pontos de pouso e recarga para eVTOLs. É justamente essa reutilização de infraestrutura urbana já instalada — como os mais de 165 heliportos de São Paulo — que a Eve aponta como um caminho mais rápido e barato para colocar a mobilidade aérea urbana em operação, em vez de depender de novos grandes investimentos em infraestrutura dedicada.

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O caminho (ainda longo) até a certificação

Apesar dos pedidos bilionários, o Eve 100 segue sem certificação em qualquer país. No Brasil, a ANAC formalizou o processo de certificação de tipo em fevereiro de 2022 e publicou os primeiros critérios de aeronavegabilidade em novembro de 2024; uma consulta setorial sobre critérios atualizados recebeu comentários do setor até agosto de 2026. A expectativa da companhia é obter a certificação da ANAC até o final de 2028, com a FAA americana validando o processo quase simultaneamente, graças a um acordo bilateral entre os dois países — a Eve também já iniciou o processo de validação junto à agência europeia EASA. A entrada em operação comercial e as primeiras entregas devem ocorrer só depois dessa certificação.

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Perguntas frequentes

O Eve 100 já pode voar com passageiros?

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Não. A aeronave realiza voos de teste, mas depende da conclusão da certificação de tipo pela ANAC — prevista para o final de 2028 — antes de poder operar comercialmente com passageiros pagantes.

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Qual a diferença entre o Eve 100 e um helicóptero comum?

O Eve 100 é 100% elétrico, usa 8 motores para decolagem e pouso vertical e depois passa a voar apoiado pelas asas, enquanto helicópteros convencionais dependem de turbinas e do rotor principal durante todo o voo. A empresa estima que esse desenho resulte em custo operacional de 25% a 30% menor que o de um helicóptero equivalente.

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Por que São Paulo é considerada prioridade pela Eve?

Porque a cidade já tem mais de 165 heliportos, uma infraestrutura que poderia ser adaptada para vertiports sem a necessidade de grandes obras, além de ter um mercado consolidado de operadores de helicóptero, como a Revo, interessados no eVTOL.

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Fontes

  • CNN Brasil — Carro voador da Embraer já acumula 2.700 pedidos de intenção de compra
  • Eve Holding — Eve Advances Global Certification Path for Eve 100
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