Na manhã de segunda-feira, 19 de outubro de 2026, o voo LH419, partindo de Washington Dulles, pousou em Frankfurt e encerrou uma era: foi o último voo comercial regular de um Airbus A340-600 da Lufthansa, a aeronave registrada como D-AIHW. Depois de quase 23 anos de operação — a primeira unidade do tipo entrou em serviço em dezembro de 2003 —, a companhia alemã retirou de cena o avião que seus próprios entusiastas apelidaram de "lápis voador", por causa da fuselagem extremamente alongada.
Imagem: o Airbus A340-600 D-AIHW da Lufthansa, a mesma aeronave do último voo comercial do tipo, aproximando-se do Aeroporto de Washington Dulles. Foto de Acroterion, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O voo final, identificado como LH419, partiu de Washington Dulles rumo a Frankfurt e pousou na manhã de 19 de outubro de 2026. A Lufthansa havia anunciado, no início de 2026, que retiraria os A340-600 remanescentes de sua frota até o fim do verão europeu, com outubro reservado como o mês de despedida oficial do modelo.
O apelido "lápis voador" vem da silhueta do avião: com 75 metros de comprimento, o A340-600 foi, por anos, o avião de passageiros mais longo do mundo — uma fuselagem estreita e esticada que, de longe, realmente lembra a forma de um lápis gigante cortando o céu. A aeronave contava com quatro motores Rolls-Royce Trent 500 e capacidade para mais de 300 passageiros em configuração de três classes.
De acordo com dados do Planespotters.net, a Lufthansa operou ao longo dos anos 24 unidades do A340-600, o que a tornou a maior operadora do modelo em todo o mundo. O avião voou em rotas de longo alcance partindo de Frankfurt para destinos na América do Norte, América do Sul, África e Ásia, incluindo escalas históricas como São Paulo, Tóquio e Joanesburgo.
A saída do A340-600 da frota da Lufthansa acompanha uma tendência mais ampla do setor: a substituição de quadrimotores por bimotores mais eficientes, como o Airbus A350 e o Boeing 787, capazes de cobrir o mesmo alcance com custo operacional menor — uma mudança que a própria certificação ETOPS, discutida em outro artigo deste blog, ajudou a tornar possível ao permitir que bimotores assumissem rotas antes reservadas a aviões com mais motores.
Para os voos que ligam a Alemanha ao Brasil, a Lufthansa já opera o Airbus A350-900 e o Boeing 747-8, segundo reportagens que acompanharam a aposentadoria do modelo. O A340-300, versão menor e mais antiga da família, deve permanecer em operação até 2027, mas também com os dias contados.
Aeronaves retiradas de operadoras como a Lufthansa costumam ser vendidas para operadoras de carga, companhias menores ou simplesmente desmontadas para peças, dependendo da idade, do estado de manutenção e da demanda do mercado por aquele modelo específico.
Aeronaves de longo alcance como o A340-600 têm ciclos de vida longos e só costumam ser substituídas quando a diferença de eficiência de combustível e custo de manutenção em relação a modelos mais novos justifica o investimento em uma frota de reposição.
Não. A Airbus encerrou a produção da família A340 em 2011, substituída por modelos bimotores mais eficientes como o A330neo e o A350.
Essa transição de quadrimotores para bimotores de longo alcance está diretamente ligada ao tema do nosso artigo sobre ETOPS, a certificação que permite aos bimotores voarem horas sobre o oceano, e também ao papel dos winglets na economia de combustível das aeronaves modernas.
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