Depois de 53 Anos, FAA Propõe o Fim da Proibição de Voos Supersônicos nos EUA

Desde 1973, nenhum avião civil pode romper a barreira do som sobre o território continental dos Estados Unidos — uma proibição que existe havia 53 anos e que ajudou a aposentar o Concorde antes da hora nas rotas domésticas americanas. Em 2026, isso pode estar prestes a mudar: a Federal Aviation Administration (FAA) publicou uma proposta formal para substituir a proibição geral por um novo padrão baseado em quanto ruído o estrondo sônico produz no solo, reabrindo a possibilidade de voos comerciais supersônicos sobre terra pela primeira vez em mais de cinco décadas.

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Imagem: o X-59, avião experimental da NASA desenvolvido para produzir um estrondo sônico silencioso, durante voo de teste supersônico na Califórnia em junho de 2026. Foto de NASA/Jim Ross, via Wikimedia Commons (Domínio Público).

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Por que existia uma proibição geral desde 1973

A regra em vigor até agora era simples e radical: nenhum voo civil poderia gerar um estrondo sônico perceptível sobre solo americano, independentemente da tecnologia da aeronave. A norma surgiu na esteira das reclamações públicas com testes de aviões supersônicos militares e civis nas décadas de 1960 e 1970, quando o estrondo sônico — a onda de choque que se forma quando um objeto ultrapassa a velocidade do som — chegava a incomodar comunidades inteiras nas rotas de teste. A proibição efetivamente inviabilizou voos supersônicos domésticos nos EUA, restringindo aeronaves como o Concorde a rotas oceânicas, onde o estrondo se dissipava sobre a água.

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O que a nova proposta da FAA muda na prática

Em vez de proibir qualquer estrondo sônico perceptível, a proposta publicada no Federal Register em julho de 2026 estabelece um limite técnico de pressão: no máximo 0,11 libra por pé quadrado (psf) de sobrepressão no solo. Aeronaves que conseguirem certificar que ficam abaixo desse limite poderiam voar supersônico sobre território americano. A ideia central é a técnica chamada "Mach cutoff": combinando o desenho da aeronave, a altitude, a velocidade e as condições atmosféricas do momento, é possível fazer com que o estrondo sônico se refrate de volta para a atmosfera antes de atingir o solo com força total, reduzindo drasticamente o impacto sonoro sentido por quem está embaixo da rota.

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O papel do X-59 da NASA nessa mudança de regra

A proposta não nasceu no vácuo: ela se apoia diretamente nos dados que a NASA vem coletando com o X-59, um avião experimental desenhado especificamente para gerar, no lugar de um estrondo sônico convencional, um som mais parecido com uma batida abafada — o programa chama isso de "sonic thump". O X-59 iniciou voos de teste supersônico em 2026 ao longo do corredor Bell X-1, na Califórnia, e os dados de ruído coletados nesses voos são a base técnica que a FAA está usando para calibrar o novo limite de sobrepressão proposto.

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Quem tem interesse direto em reabrir esse mercado

A mudança de regra interessa diretamente a empresas que já apostam no retorno da aviação comercial supersônica, como a Boom Supersonic, que desenvolve o Overture, um jato supersônico de passageiros com previsão de entrada em serviço ainda nesta década. Sem a possibilidade de voar supersônico sobre terra, esses projetos ficariam limitados a rotas oceânicas — exatamente a mesma restrição que ajudou a inviabilizar economicamente o Concorde décadas atrás. Reabrir o espaço aéreo continental amplia enormemente o número de rotas potencialmente lucrativas para uma aeronave desse tipo.

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A oposição que a proposta já enfrenta

A proposta está longe de ser consenso. O período de comentários públicos se encerrou em 17 de agosto de 2026, e a cobertura especializada já registra críticas relevantes ao método de medição do estrondo sônico proposto pela FAA, com grupos questionando se o limite de 0,11 psf realmente reflete o incômodo percebido por comunidades no solo em diferentes condições atmosféricas. A agência prevê finalizar as novas regras até meados de 2027, mas o debate técnico sobre a métrica correta de ruído deve continuar até lá.

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Perguntas frequentes

Voos supersônicos comerciais já podem operar nos EUA?

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Ainda não. A proposta da FAA está em fase de regulamentação, com regras finais previstas para meados de 2027. Até lá, a proibição de 1973 continua formalmente em vigor sobre o território continental americano.

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O novo avião supersônico vai fazer o mesmo barulho que o Concorde fazia?

Não necessariamente. Toda a proposta se baseia na premissa de que a nova geração de aeronaves, usando técnicas como o "Mach cutoff" e desenhos aerodinâmicos testados no X-59 da NASA, pode produzir um estrondo sônico muito mais fraco do que o do Concorde, que era ouvido claramente no solo.

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Por que o Concorde nunca voou supersônico dentro dos Estados Unidos?

Justamente por causa da proibição geral de 1973: o Concorde podia pousar e decolar de aeroportos americanos, mas precisava voar em velocidade subsônica sobre o território continental, só acelerando acima da velocidade do som sobre o oceano, o que limitava drasticamente sua vantagem de tempo em rotas domésticas.

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Fontes

  • Federal Register — Enabling Supersonic Overland Flight
  • FlightGlobal — FAA's supersonic plan draws fire over sonic-boom metric
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