Nos primeiros nove meses de 2026, o Brasil colocou mais gente no ar do que em qualquer outro período equivalente desde que a ANAC começou a medir esse número, no ano 2000. Os dados divulgados em outubro mostram não apenas um recorde acumulado, mas um mês de setembro que também bateu marcas próprias, tanto nos voos domésticos quanto nos internacionais. O resultado confirma uma tendência que já vinha sendo discutida ao longo do ano: depois dos anos de pandemia, a aviação brasileira não só se recuperou, como está voando mais alto do que nunca.
Imagem: saguão de embarque do Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em 2025. Foto de TomasVial, via Wikimedia Commons (CC0, domínio público).
Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil registrou 76,8 milhões de passageiros em voos domésticos, um crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2025 — o maior volume já registrado para esses nove meses desde que a série histórica da ANAC começou a ser calculada, em 2000. Os voos internacionais tiveram um salto ainda maior, de 7,2%, somando 22,7 milhões de passageiros. No total, somando doméstico e internacional, o país transportou 99,5 milhões de passageiros nesses nove meses, um avanço de 4,2% sobre o ano anterior.
Olhando apenas para o mês de setembro de 2026, os voos domésticos transportaram 8,5 milhões de passageiros, repetindo exatamente a marca recorde já estabelecida em setembro de 2025 — ou seja, o mercado doméstico não cresceu naquele mês específico, mas também não recuou, mantendo o teto histórico. Já o mercado internacional teve crescimento de 4% em setembro, alcançando 2,3 milhões de passageiros, o maior volume já registrado para um mês de setembro. Os dados foram divulgados pela ANAC em conjunto com o Ministério do Turismo.
O avanço mais acelerado dos voos internacionais em relação aos domésticos reflete, entre outros fatores, a retomada e expansão de rotas internacionais por companhias brasileiras e estrangeiras, o câmbio favorável a visitantes internacionais em determinados períodos do ano e o apetite reprimido por viagens internacionais acumulado desde a pandemia. Já o crescimento mais moderado, mas ainda assim histórico, do mercado doméstico, mostra que a aviação interna brasileira amadureceu: já não cresce aos saltos de dois dígitos de anos de forte expansão, mas consolida ganhos ano após ano sobre uma base maior.
Mais passageiros voando significa, na prática, aeroportos e aeronaves operando perto da capacidade máxima em horários de pico, o que tende a pressionar preços de passagens em datas de alta demanda e torna ainda mais importante planejar viagens com antecedência. Para a infraestrutura aeroportuária brasileira, o recorde também reforça a pressão por expansão de terminais e pistas em aeroportos que já operam no limite, como é o caso de Congonhas, em São Paulo, historicamente um dos aeroportos mais restritos em capacidade do país.
A série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) usada para comparações de recorde começou no ano 2000, o que torna o resultado de janeiro a setembro de 2026 o maior já registrado para esse período em mais de duas décadas de medição.
O mercado internacional cresceu mais, com alta de 7,2% no acumulado de janeiro a setembro, contra 3,4% do mercado doméstico. Em volume absoluto, porém, o doméstico continua sendo muito maior: 76,8 milhões de passageiros contra 22,7 milhões no internacional.
Não exatamente mais — os 8,5 milhões de passageiros domésticos em setembro de 2026 empataram com o recorde já estabelecido em setembro de 2025, mantendo o teto histórico do mês sem crescimento adicional. Já o mercado internacional de setembro cresceu 4% e estabeleceu um novo recorde para o mês.
Esse não é o primeiro recorde de passageiros que o Brasil bate nos últimos anos — para entender a trajetória que levou a aviação brasileira até aqui, veja Recorde Histórico: Por Que o Brasil Bateu Recorde de Passageiros Voando em 2026. E para ver como esse crescimento brasileiro se compara ao de outros mercados do mundo, leia Aeroporto de Incheon Ultrapassa Heathrow e Changi e Se Torna o Mais Movimentado do Mundo em Voos Internacionais.
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