Em 26 de agosto de 2026, o Boeing 787 Dreamliner completou 15 anos desde que recebeu sua certificação de tipo pela FAA. O número que resume esse aniversário é difícil de visualizar: mais de 1 bilhão de passageiros transportados, um marco que, segundo a Boeing, nenhuma outra aeronave widebody da história atingiu tão rápido. A notícia, destacada pela Aviation A2Z nesta semana, é a deixa perfeita para entender por que esse avião, apelidado de "o mais seguro do mundo" por seu histórico operacional, se tornou o widebody mais vendido da história da Boeing.
Imagem: Boeing 787-9 Dreamliner em voo. Foto de New York-air, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O 787 recebeu a certificação de tipo da FAA em 26 de agosto de 2011. A All Nippon Airways (ANA) recebeu a primeira unidade em 26 de setembro daquele ano, e a aeronave entrou em serviço comercial em 26 de outubro de 2011, três marcos separados por exatamente um mês cada. Desde então, a Boeing expandiu o programa original em uma família de três modelos, o 787-8, o 787-9 e o 787-10, cada um com diferentes combinações de capacidade e alcance.
Segundo dados da própria Boeing, a frota global de mais de 1.175 unidades do 787 já realizou quase 5 milhões de voos, somando mais de 30 milhões de horas de voo, e opera em mais de 85 países a partir de mais de 520 aeroportos. O fabricante destaca que o avião ajudou companhias aéreas a abrir mais de 540 novas rotas sem escala que antes não existiam, conectando cidades que simplesmente não tinham demanda suficiente para aeronaves maiores, mas que se tornaram viáveis com a eficiência do 787.
Uma parte central do que torna o 787 diferente é sua estrutura em materiais compósitos de fibra de carbono, responsável por boa parte do peso da fuselagem e das asas, uma escala inédita para um avião comercial no momento de seu lançamento. Combinada com motores de nova geração, essa construção permite ao 787 operar com até 25% mais eficiência de combustível do que as aeronaves que ele substitui, segundo a Boeing, um dos motivos centrais para sua adoção em massa por companhias aéreas ao redor do mundo.
Em 2026, a FAA certificou um aumento no peso máximo de decolagem para as variantes 787-9 e 787-10, ampliando a flexibilidade operacional da família. Para o 787-9, o acréscimo de cerca de 4,5 toneladas permite cerca de 3 toneladas métricas extras de carga paga ou mais de 300 milhas náuticas adicionais de alcance; para o 787-10, o ganho de aproximadamente 6,3 toneladas oferece cerca de 5 toneladas métricas extras de carga ou mais de 400 milhas náuticas adicionais, dando às companhias aéreas mais opções para equilibrar passageiros, carga e distância em cada rota.
O marco dos 15 anos também coincidiu com o fim de uma etapa histórica do programa: o ZA004, último avião de testes 787-8 ainda em atividade, fez seu voo final em 11 de fevereiro de 2026, após quase 16 anos dedicados ao programa de testes de voo. Ao longo de sua carreira, o ZA004 completou mais de 670 voos e 2.250 horas de voo, visitou mais de 30 aeroportos, participou do milésimo voo do programa 787 em 2011 e ajudou a validar sistemas de distribuição elétrica após um incidente elétrico em voo que havia pausado temporariamente os testes.
A alcunha vem do histórico operacional da aeronave desde sua entrada em serviço em 2011, sem registro de acidente fatal envolvendo o modelo em voo comercial de passageiros até a publicação original da notícia, um dado frequentemente citado pela indústria como referência do programa.
A Boeing havia entregue mais de 1.250 unidades do 787 até março de 2026, distribuídas entre as variantes 787-8, 787-9 e 787-10, consolidando o modelo como o widebody mais vendido da história da fabricante.
Companhias aéreas que operam 787-9 e 787-10 certificados para o novo peso podem escolher entre carregar mais carga paga ou voar distâncias maiores em uma mesma rota, uma flexibilidade que depende da configuração específica de cada aeronave entregue desde dezembro de 2025.
O 787 depende de motores turbofan de última geração para atingir essa eficiência; entenda como funciona um motor turbofan, e veja também como é produzido o combustível Jet A-1 que abastece aeronaves como essa.
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