Durante a convenção NBAA-BACE 2026, em Las Vegas, divulgada por volta de 22 de outubro de 2026, veio à tona um anúncio que conecta duas décadas de aviação: o piloto Barrington Irving, dono de dois recordes do Guinness por ter sido, em 2007, o piloto mais jovem e o primeiro afro-americano a dar a volta ao mundo solo em um avião, está se preparando para repetir a proeza. A diferença é que, desta vez, a aeronave será um jato executivo, e o objetivo declarado é incentivar carreiras em aviação e ampliar programas de formação técnica para jovens.
Imagem: Barrington Irving fala sobre sua experiência como o piloto mais jovem e o primeiro afro-americano a voar solo ao redor do mundo. Foto de NASA, via Wikimedia Commons (Domínio Público).
Aos 23 anos, um recorde construído com peças doadas
Nascido em Kingston, na Jamaica, em 11 de novembro de 1983, Barrington Irving cresceu em um bairro de baixa renda de Miami. Ele contava, à época, que apostava em uma bolsa de futebol americano para chegar à faculdade, até que um encontro casual com um piloto comercial jamaicano-americano — que o levou para dentro da cabine de um Boeing 777 — mudou o rumo de sua vida. Sem dinheiro para custear aulas de voo, ele dizia ter encontrado na revista Flight Training, da AOPA, sua “janela para a aviação”.
Irving se formou piloto e, ainda estudante de engenharia aeroespacial na Florida Memorial University, arquitetou um feito improvável: convenceu fabricantes e fornecedores a doar mais de US$ 300 mil em peças para montar um Columbia 400 batizado de “Inspiration”. Em 23 de março de 2007, partiu solo de Opa-locka, na Flórida, e voltou ao mesmo aeroporto em 27 de junho daquele ano, depois de cerca de três meses e milhares de quilômetros percorridos por continentes como América do Norte, Europa, Ásia e o Alasca. Com 23 anos, ele se tornou a pessoa mais jovem — e também a primeira pessoa negra — a completar uma circum-navegação solo ao redor do globo, conquista reconhecida pelo Guinness World Records.
O anúncio de 2026: a mesma missão, agora em jato
Quase vinte anos depois daquele voo, a NBAA-BACE 2026 serviu de palco para o anúncio da nova empreitada de Irving: uma segunda volta ao mundo, planejada para 2027, desta vez a bordo de um jato executivo — o que deve tornar a viagem significativamente mais rápida do que a de 2007. Segundo o noticiado durante a convenção, a iniciativa conta com o apoio de Fabio Alexander Vasquez, fundador e CEO da Executive Air Services, além de suporte adicional da Aircraft Electronics Association e da própria NBAA (National Business Aviation Association). Curiosamente, foi o mesmo Vasquez quem apresentou Irving à NBAA antes do voo de 2007, abrindo portas para o apoio da indústria que ele recebe até hoje.
O propósito declarado da nova volta ao mundo vai além do espetáculo: estimular mais pessoas a seguir carreiras na aviação e conquistar maior apoio de empresas para programas de aprendizagem e formação técnica — uma resposta direta à escassez de profissionais qualificados que a aviação executiva enfrenta globalmente.
De recordista a formador de pilotos
Depois do recorde de 2007, Irving não parou de voar — mas passou a dedicar boa parte de sua energia a formar a próxima geração de profissionais da aviação. Em 2005, ainda antes da volta ao mundo, ele já havia fundado a Experience Aviation, uma organização sem fins lucrativos sediada no Aeroporto Executivo de Opa-locka, na Flórida, que aproxima jovens de carreiras em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) por meio de projetos práticos, como a construção de hovercrafts, aeronaves e até supercarros.
Em 2013, ele lançou a Flying Classroom, um currículo de STEM voltado para o ensino fundamental e médio que já reúne mais de 55 expedições globais e cerca de 165 aulas virtuais, usado por escolas como ferramenta de ensino prático conectada a viagens reais. Mais recentemente, em 2022, Irving fundou a Barrington Irving Technical Training School, uma escola técnica no Aeroporto Executivo de Miami-Opa-locka criada com apoio da NBAA e de outras organizações do setor, voltada à formação de mão de obra técnica para a aviação.
O que isso representa para quem sonha com uma carreira na aviação
A trajetória de Irving — de jovem sem recursos para pagar aulas de voo a piloto recordista e hoje referência em formação técnica — é usada por ele mesmo como prova de que a aviação pode ser um caminho de ascensão social, não apenas um hobby caro. Ao escolher um jato executivo para sua segunda volta ao mundo, ele também chama atenção para um segmento da aviação que, apesar de menos visível ao público geral, sustenta milhares de empregos: pilotos, técnicos de manutenção, especialistas em aviônicos e profissionais de operações em aviação executiva. Entre as honrarias que recebeu ao longo da carreira estão a Ordem de Distinção da Jamaica (2007), o título de National Geographic Emerging Explorer (2012) e o American Spirit Award da NBAA (2019), prêmios que reforçam seu papel como ponte entre o feito individual de 2007 e um movimento mais amplo de incentivo a carreiras no setor.
Perguntas Frequentes
Quem é Barrington Irving?
Barrington Irving é um piloto nascido na Jamaica e radicado em Miami que, em 2007, aos 23 anos, se tornou a pessoa mais jovem e a primeira pessoa negra a completar uma volta ao mundo solo em um avião, feito reconhecido com dois recordes do Guinness World Records. Desde então, fundou organizações dedicadas à formação de jovens para carreiras em aviação e áreas de STEM.
Qual recorde ele bateu em 2007?
Em 2007, Irving pilotou sozinho um Columbia 400 batizado de “Inspiration”, construído com mais de US$ 300 mil em peças doadas, partindo e retornando ao Aeroporto de Opa-locka, na Flórida, após cerca de três meses de viagem. Com isso, tornou-se a pessoa mais jovem e a primeira pessoa negra a completar uma circum-navegação solo do planeta.
Quando será a nova volta ao mundo e em que aeronave?
De acordo com o anúncio feito durante a convenção NBAA-BACE 2026, em outubro de 2026, a nova volta ao mundo de Irving está planejada para 2027 e será realizada em um jato executivo, com apoio de patrocinadores do setor de aviação de negócios, como a Executive Air Services, a Aircraft Electronics Association e a NBAA.
Quase duas décadas separam o jovem que decolou de Opa-locka em um avião monomotor financiado a peças doadas do piloto que agora planeja repetir a volta ao mundo em um jato executivo. Entre um voo e outro, Barrington Irving construiu algo talvez mais duradouro do que qualquer recorde: uma rede de programas que continua abrindo a porta da aviação para quem, como ele um dia, não teria como pagar a primeira aula de voo.
Fontes
- AINalerts — Notícias da NBAA-BACE 2026 (22 de outubro de 2026)
- NBC News — Pilot, 23, completes round-the-world solo trip
Para quem pensa em seguir carreira como piloto, vale entender o cenário atual do setor: a escassez global de pilotos tem aberto oportunidades inéditas para novos profissionais, mas antes de decolar é importante saber também quanto custa se tornar piloto no Brasil.



