Airbus Projeta que o Brasil Vai Dobrar o Número de Passageiros Aéreos até 2045

Airbus A320 da LATAM Brasil, prefixo PR-TYI, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, São Paulo

Em 19 de outubro de 2026, no fórum ALTA AGM, no México, a Airbus apresentou uma projeção que resume bem para onde a fabricante europeia acredita que o mercado aéreo latino-americano está indo: o Brasil deve praticamente dobrar seu número de passageiros aéreos até 2045, saindo dos 114 milhões registrados em 2025 para 233 milhões em duas décadas. Por trás desse número está uma conta que envolve centenas de aeronaves novas, uma classe média crescente e uma aposta da Airbus em se tornar a fornecedora dominante desse crescimento.

Imagem: Airbus A320 da LATAM Brasil, prefixo PR-TYI, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Foto de Py4nf, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

Os números por trás da projeção

Segundo a Airbus, o tráfego de passageiros no Brasil deve crescer a uma taxa composta de 3,3% ao ano até 2045 — um ritmo que, mantido ao longo de duas décadas, é suficiente para quase dobrar o volume total de viagens aéreas no país. Em termos per capita, a fabricante projeta que o número médio de viagens por habitante brasileiro suba de 0,5 por ano, em 2025, para 1,0 por ano em 2045 — ou seja, o brasileiro médio passaria a voar, em média, uma vez por ano, o dobro da frequência atual.

Quantos aviões novos esse crescimento exige

Para sustentar essa demanda, a Airbus projeta que a frota brasileira de aeronaves de corredor único (narrowbody) precisará crescer de 459 para 855 unidades, enquanto a frota de corredor duplo (widebody) deve subir de 133 para 236 — um acréscimo líquido de aproximadamente 499 aeronaves apenas no Brasil. Olhando para a América Latina e o Caribe como um todo, a conta sobe para 2.700 novas aeronaves até 2045, das quais mais de 90% seriam do tipo corredor único, refletindo o perfil predominantemente doméstico e regional das rotas da região.

O motor por trás do crescimento: a nova classe média

Segundo Arturo Barreira, presidente da Airbus para América Latina e Caribe, o principal motor dessa expansão é demográfico: a região deve ganhar 100 milhões de novas pessoas na classe média até 2045, levando o total a 500 milhões — cerca de 70% da população latino-americana enquadrada em uma faixa de renda com maior propensão a viajar de avião. É esse contingente, mais do que o crescimento populacional puro, que a Airbus aposta como o verdadeiro combustível da demanda futura por voos na região.

Combustível sustentável e novas rotas internacionais

A projeção da Airbus também vem acompanhada de mudanças regulatórias que já estão no horizonte: o Brasil terá obrigações de consumo de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2027, segundo Barreira, o que deve pressionar companhias aéreas e fornecedores de combustível a acelerar investimentos no setor. A fabricante também citou o Nordeste brasileiro como uma região de oportunidade para novas rotas internacionais diretas à Europa, apontando o A321XLR — capaz de voar distâncias mais longas do que os modelos tradicionais de corredor único — como peça-chave dessa estratégia.

Por que a Airbus está ampliando sua produção para esse cenário

Para dar conta da demanda projetada globalmente, não só na América Latina, a Airbus já ampliou de sete para dez o número de linhas de montagem da família A320 ao redor do mundo. A fabricante também destacou sua infraestrutura industrial já instalada no Brasil, incluindo centros de manutenção e a linha de montagem de helicópteros em Minas Gerais, como vantagem competitiva para capturar uma fatia maior desse mercado em expansão diante da concorrente Boeing.

Perguntas frequentes

A projeção da Airbus é a mesma coisa que uma garantia de que o mercado vai crescer assim?

Não. É uma projeção de longo prazo da fabricante, baseada em modelos econômicos e demográficos, usada principalmente para orientar decisões de produção e vendas da própria Airbus — fatores como crises econômicas, mudanças regulatórias ou choques no preço do combustível podem alterar significativamente esse cenário ao longo de vinte anos.

O que é o A321XLR citado na projeção?

É uma variante da família A320 da Airbus com tanques de combustível adicionais, capaz de voar distâncias muito maiores do que os modelos tradicionais de corredor único — o que permite operar rotas internacionais de longo alcance, como ligações diretas entre o Nordeste brasileiro e a Europa, sem precisar de uma aeronave widebody maior e mais cara de operar.

Por que o Brasil terá obrigações de uso de SAF a partir de 2027?

Faz parte de uma política regulatória de descarbonização do setor de aviação, que vem sendo adotada em diferentes graus ao redor do mundo para reduzir as emissões de carbono da aviação comercial, obrigando companhias aéreas e fornecedores de combustível a incorporar gradualmente combustível sustentável à matriz energética usada pelos aviões.

Fontes

Essa aposta da Airbus no Brasil já aparece na prática: veja como foi a chegada do primeiro Airbus A321neo da LATAM montado fora da Europa. E, no outro extremo do mercado de mobilidade aérea brasileira, conheça o “carro voador” brasileiro que já soma 2.700 pedidos.

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