89 Anos Depois, Nova Expedição Não Encontra o Avião de Amelia Earhart — e Isso Diz Muito

Amelia Earhart em pé sob o nariz do seu avião Lockheed Model 10-E Electra

Em 19 de outubro de 2026, uma expedição de 17 pesquisadores divulgou o resultado de uma busca que durou dias em uma ilha desabitada do Pacífico Sul: nenhuma evidência conclusiva dos destroços do avião de Amelia Earhart. Não é a primeira vez — e, a julgar pela história, provavelmente não será a última. Já são mais de 15 buscas sem sucesso na mesma ilha, segundo o Smithsonian, quase 89 anos depois do desaparecimento de uma das aviadoras mais famosas da história.

Imagem: Amelia Earhart em pé sob o nariz do seu avião Lockheed Model 10-E Electra, a aeronave desaparecida em 1937. Foto de Underwood & Underwood, via Wikimedia Commons (domínio público).

O último voo de Amelia Earhart

Em 2 de julho de 1937, Amelia Earhart decolou de Lae, na Nova Guiné, em direção à Ilha Howland, no meio do Oceano Pacífico — um trecho de cerca de 18 horas de voo e a penúltima etapa da tentativa de se tornar a primeira mulher a dar a volta ao mundo voando. Ao lado do navegador Fred Noonan, ela já havia percorrido 35.405 km da viagem; faltavam 11.265 km. O avião nunca chegou a Howland. A teoria oficial dos Estados Unidos é que o combustível acabou e a aeronave, um Lockheed Model 10-E Electra financiado pela Purdue Research Foundation, caiu no oceano perto do destino.

A teoria de Nikumaroro e o “Objeto Taraia”

Uma teoria alternativa, defendida por pesquisadores como o arqueólogo Rick Pettigrew, diretor executivo do Archaeological Legacy Institute (ALI), sustenta que Earhart e Noonan na verdade conseguiram pousar em Nikumaroro, uma ilha desabitada a 644 km ao sul de Howland, hoje parte da República de Kiribati — e que, isolados, provavelmente morreram de sede ou fome como náufragos. O alvo mais recente dessa teoria é o chamado “Objeto Taraia”: uma forma dentro de uma lagoa da ilha, detectada pela primeira vez em imagens de satélite em 2020, com contorno que lembrava o de um avião.

O que a expedição de outubro de 2026 encontrou (e não encontrou)

A expedição, organizada pelo ALI em parceria com a Universidade Purdue, reuniu 17 pesquisadores e técnicos que chegaram a Nikumaroro em 12 de outubro de 2026, após cinco dias de viagem por mar partindo de Tarawa. Usando magnetômetro — para detectar ferro — e sonar para buscar objetos sob o sedimento, a equipe investigou a lagoa onde o Objeto Taraia havia sido fotografado. O resultado, anunciado em 19 de outubro: nenhuma evidência conclusiva de destroços do Lockheed Electra. Segundo a avaliação da equipe, a anomalia era provavelmente um conjunto de árvores grandes depositado na faixa de areia, e eventuais detritos já haviam se fragmentado e sido levados pela água ao longo das décadas. Ainda assim, Pettigrew afirmou continuar considerando muito provável que Earhart e Noonan tenham chegado a Nikumaroro.

Outras buscas que também fracassaram

Nikumaroro já foi alvo de mais de 15 expedições sem sucesso, de acordo com Dorothy Cochrane, curadora do Smithsonian. Em 2019, uma expedição liderada por Bob Ballard — o oceanógrafo que encontrou os destroços do Titanic em 1985 — também não encontrou resultados na região. Em 2024, a empresa Deep Sea Vision chegou a detectar, por sonar, uma forma semelhante a um avião a cerca de 160 km de Howland, mas a investigação concluiu que se tratava apenas de rochas. Outra empresa, a Nauticos, já realizou três operações de busca ao redor de Howland desde 2002 e planeja uma nova tentativa, com orçamento estimado entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões.

Por que esse mistério resiste a quase 90 anos de tecnologia

A combinação de um oceano profundo e vasto, decadência natural de destroços de metal e madeira ao longo de quase nove décadas, e teorias concorrentes sobre o local exato do desaparecimento explica por que, mesmo com magnetômetros, sonares modernos e sondas batimétricas de última geração, o mistério de Amelia Earhart continua sem solução definitiva. Cada nova expedição reduz um pouco o conjunto de possibilidades — mas, até agora, nenhuma delas entregou a resposta final.

Perguntas frequentes

Qual é a teoria mais aceita sobre o desaparecimento de Amelia Earhart?

A posição oficial dos Estados Unidos é que o avião ficou sem combustível e caiu no Oceano Pacífico perto da Ilha Howland. A teoria de Nikumaroro, defendida por pesquisadores independentes como Rick Pettigrew, é uma hipótese alternativa que ainda não foi nem confirmada nem descartada de forma definitiva.

Por que a expedição de 2026 focou em uma lagoa específica?

Porque imagens de satélite captadas em 2020 mostraram, naquele ponto da lagoa de Nikumaroro, uma anomalia com formato que lembrava o de uma aeronave — o chamado “Objeto Taraia” —, o que motivou a equipe a investigar o local com magnetômetro e sonar.

Existe chance de o avião de Amelia Earhart ainda ser encontrado?

Pesquisadores como os da Nauticos continuam planejando novas expedições, incluindo buscas de múltiplos milhões de dólares na região de Howland. Como o caso permanece sem solução definitiva, cada avanço tecnológico em sonar e mapeamento submarino renova a possibilidade de uma descoberta futura.

Fontes

Para entender a tecnologia que hoje evita que mistérios assim se repitam, veja como funciona a caixa-preta, o gravador de voo que resiste a qualquer acidente, e como o SISSAR da FAB vasculha 22 milhões de km² em busca de aviões no Brasil.

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